Prêmio Innovare 2017: Ressocialização e acessibilidade para pessoas com deficiência visual

16/01/2018

“É visível o orgulho dos presos em participar de um projeto que permite a um cego estudar. Inclusive, eu presenciei várias histórias extraordinárias nos doze anos em que fui diretor de presídio. Preso que não trabalha, que fica ocioso, fica perigoso” (ex-diretor do presídio de Maringá, no Paraná, em entrevista ao portal do Conselho Nacional de Justiça).


De uma observação de duas necessidades, da experiência como diretor e da força de vontade para mudar realidades, surge o projeto “Visão de liberdade”. O endereço? Estrada Velha para Paiçandu, Rua Gleba Ribeirão Colombo, divisa com o Município de Paiçandu s/n. O que é isso? A Penitenciária Estadual de Maringá. Lá, todos os dias, em torno de 30 presos se preparam para mudar vidas: a deles e a de pessoas com deficiência visual (PCDs).


Sob a coordenação do Conselho Comunitário de Segurança de Maringá (Conseg) e parceria com o Centro de Apoio Pedagógico (CAP) de Maringá, há treze anos, o grupo produz materiais didáticos em auto relevo, livros e apostilas em braile e falados. Este trabalho permite que pessoas com deficiência visual tenham acesso a literatura e livros paradidáticos.


Ao total, segundo o Conselho Nacional de Justiça, já foram entregues mais de 84.820 materiais didáticos em relevo, 453 livros e 54 apostilas digitados, e 126 livros e 12 apostilas falados. O projeto ganhou o prêmio Innovare 2017, na categoria Justiça e Cidadania. “Tivemos a ideia de realizar esse projeto ao observar a dificuldade do CAP para conseguir material didáticos para cegos”, afirmou o ex-diretor do presídio.


Os equipamentos foram conseguidos por meio de uma parceria com a Receita Federal e, desde, então, dão novas chances aos apenados e as PCDs. As produções são distribuídas a alunos cegos da rede estadual de ensino do Brasil, além disso, há exemplares distribuídos também para Portugal.


Os detentos que desejam participar do projeto passam por uma seleção e, em seguida, são capacitados em noções básicas do Sistema Braille e do software Braille Fácil. Depois dessa etapa inicia-se o estágio de digitação no software Braille Fácil, revisão realizada pelos digitadores e encaminhamento do arquivo para o CAP, afirma o site do CNJ.


Por fim, ao chegar ao centro de apoio, há uma nova revisão por professores especialistas, impressão em Braille, outra revisão realizada por um revisor cego, última impressão, encadernação e envio para os alunos.


Contudo, esta não foi a primeira premiação do projeto, mas a quarta. Em agosto de 2011 o Visão de Liberdade recebeu o Prêmio Cidadania, promovido pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB), em novembro do mesmo ano, o Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.


O penúltimo foi em 2014, prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) versão Brasil, da ONU/PNUD, que incentiva, desde 2004, ações, programas e projetos que contribuem para o cumprimento dos ODMs. Ele concorreu com outros 1.090 inscritos, 804 de organizações sociais e 286 de prefeituras.


 


Fonte: CNJ.


 


Imagem Ilustrativa do Post: Projeto Visão de Liberdade, da Penitenciária Estadual de Maringá // Foto de: Fotografia cnj // Sem alterações


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