Coluna Direito e Arte / Coordenadora Taysa Matos
Sou um pouco de amor
não compreendido
Um sorriso disfarçado
Porque corre perigo
De ser ferido
Ser arrancado dos lábios
Como quem rouba
As palavras da sua boca.
E não te deixa
Nunca te deixa falar.
Sou um desenho rabiscado
Na parede do meu quarto
Temendo ser julgado
Por quem vai passar.
Por quem nunca viu nada
Por quem nem quis entrar
Por quem não sabe o que está desenhado
Por quem nunca parou para admirar.
E esse pouco amor
não compreendido
Que esconde,
do rosto, o sorriso
Que veste seus desenhos de vergonha
Daquele de tecido fino,
Encara todo dia um oceano
A quem teme afogar-se um dia
Quando não suportar mais encher-se de enganos
De sonhos, de planos
E se poesia.
Que foram para dois, um dia.
Um dia, que foi incompreendido.
A luz do que ficou, vive me perseguindo
E a dor do que restou, completa o oceano.
Que um dia, tomará-me depressa
Doce bebida de muitos enganos
De muitos sonhos
De muitos planos
E de toda a poesia
Que suporta
O fim de cada sina,
Mesmo que sido
para dois,
um dia."
Imagem Ilustrativa do Post: Pôr do sol - Pico dos Marins // Foto de: Jeremias Pereira // Sem alterações
Disponível em: https://www.flickr.com/photos/jeremiaspereira/27607051855
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