Coluna Direito e Arte / Coordenadora Taysa Matos
Não posso deixar o momento sumir, para depois, em algum momento, me inspirar para compor.
Ou (a)noto no ato ou não me vem qualquer sinceridade que valha (d)escrever.
Observo. Porque não sei o que mais fazer.
Afogo-me na ansiedade incontrolada de berrar ao mundo as incoerências cotidianas.
Silêncio.
Minha voz irritadiça não se faz entender no cercadinho engravatado.
Murcho o passo e silêncio.
E então observo.
Não porque quero, mas porque aprendi.
Distante do tumulto imperial, a clarividência se põe automática:
São amontoados de inutilidades egoicas no centro da operação.
Não há capacidade de proposição em meio a tanta presunção.
Rendo-me ao poder inflado ou me ponho no espaço conforme meu compasso.
Hesito.
Ainda que minha tenra idade não permita.
É no silêncio escolhido que me componho.
Longe da sufocante esfera falocêntrica irracional e bestializante.
Pés firmes. Ao sol. Ao pensar.
Observo.
Sem me calar.
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