O fim dos planos de saúde

25/03/2024

O fim dos planos de saúde: não é uma opinião. É uma constatação. Basta olhar os relatórios trimestrais do painel econômico-financeiro da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS[1].

A análise dos aludidos relatórios (trimestrais) demonstra que há operadoras que lucram com o seu negócio[2]. Contudo, é alto o número de operadoras que atuam no prejuízo – por vários trimestres seguidos[3].

Algumas razões que levaram ao atual cenário:

- problemas de gestão;

- envelhecimento da população;

- alto preço das novas tecnologias;

- judicialização;

- ampliação do acesso (TEA, oncológicos, etc);

- distanciamento do SUS;

Além disso, considerando o cenário de reajuste de preços, dificilmente o consumidor terá capacidade financeira de custeio dos planos de saúde.

Assim, algumas medidas podem ser adotadas para evitar o fim dos planos de saúde, tais como:

- qualificação da gestão;

- segurança jurídica;

- regulação equilibrada;

- judicialização equilibrada;

- maior interação entre SUS e saúde suplementar;

- definição objetiva da natureza jurídica do rol da ANS;

- preservação do impacto atuarial;

- adequada análise econômico-financeira das novas tecnologias;

- adequada análise de evidências científicas das novas tecnologias;

- novas estratégias de pagamento (como o compartilhamento de risco);

- ampliação da base de financiamento;

- novas estratégias de precificação de tecnologias em saúde;

- novas estratégias de negociação com a indústria farmacêutica.

Portanto, a sociedade brasileira precisa refletir sobre a questão, a fim de encontrar alguma maneira de manter a higidez dos negócios na saúde suplementar[4].

A sustentabilidade é importante não apenas para as operadoras de plano de saúde, mas para os próprios usuários e consumidores. Sem sustentabilidade haverá redução do acesso aos serviços e produtos em saúde, em grave prejuízo à população.

 

Notas e referências

[1]     BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Painel econômico-financeiro. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/numeros-do-setor/ans-divulga-dados-economico-financeiros-relativos-ao-3o-trimestre-de-2023. Acesso em: 23 Mar. 2024.

[2]     Importante anotar que o tal lucro geralmente é apenas financeiro – decorrente de investimentos – e não operacional.

[3]     BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Painel econômico-financeiro. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiMjM4YTYyMDEtMmRjMS00NWFhLWFkMTEtMDk0YmMzZTk2YzZkIiwidCI6IjlkYmE0ODBjLTRmYTctNDJmNC1iYmEzLTBmYjEzNzVmYmU1ZiJ9. Acesso em: 23 Mar. 2024.

[4]     TORO DA SILVA, José Luiz. É preciso repensar os planos de saúde. Conjur, 21 Jan 2024. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2024-jan-21/e-preciso-repensar-os-planos-de-saude/. Acesso em: 24 Mar. 2024.

 

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