O conto de Goétia, ou sobre como é importante refletir acerca das possibilidades que emergem da Convenção de Nova Iorque e do Estatuto da Pessoa Deficiente - Por Roberta Matzenbacher

10/11/2017

[1]


O som de gritos rasgou aquela noite.


O céu estava estrelado, a lua cheia a plainar sobre a terra. O ar pairava fresco e agradável para as réstias da população que perambulava pela vila. No entanto, para a mãe que dava à luz o seu primeiro filho em uma das docas escuras, a agitação das vozes e o barulho dos cascos dos cavalos era apenas um murmuro longínquo. Ela mal prestava atenção ao movimento da vida nas ruas apinhadas, pois estava concentrada demais nas dores do parto.


Fazia horas que a parteira a incentivava a aplicar força na musculatura interna do ventre, esbravejando o quanto ela era preguiçosa por não ser capaz de gerar a criança. Ela, desesperada e com irritação, finalmente sentia que o momento chegara. Com um último suspiro entrecortado, a mãe enfim expeliu o ser que até então vivia em seu interior. E foi um alívio tão grande que, por um breve instante, só conseguia pensar naquilo. Permitiu-se respirar fundo e fechar os olhos, sonolenta, mas, tão logo pensou ter atingido a inconsciência, no mesmo instante esta lhe escapou, desta feita pelo grito desesperado que a parteira soltara dos lábios.


Em estado de transe, a mãe mal reparou nas palavras que a velha dizia. Estivera esperando até então que ela aprontasse seu bebê e o oferecesse a si, os braços coçando pelo desejo de tê-lo próximo, porém isso nunca aconteceu. Por trás das pálpebras semicerradas, conseguiu enxergar as feições retorcidas de terror da outra, seu puro espanto ao encarar a cama cheia de sangue de sua placenta. Tentou forçar os lábios a pronunciarem a pergunta de por que ela estaria agindo daquela maneira, porém nem precisou. Ela viu, com crescente assombro, o que assustara tanto a mulher: logo ali, ao pé da cama, estava uma criatura macabra. Seu corpo, rechonchudo e suave como o de qualquer outra criança, era enganosamente normal, mas no rosto destoava das demais. Uma cara de traços distorcidos, disformes, com olhos já abertos. Era possível verificar que eram débeis, nada naturais. Por um momento, a mãe se perguntou de onde teria vindo tal criatura, mas o olhar julgador e assustado da parteira lhe revelou a verdade.


Ele viera dela. Era o seu filho.


Trêmula e aturdida, tudo que fez foi balançar a cabeça, negando aquele fato com veemência. Não poderia ser verdade, não com ela. A mãe, que gerara seu filho com tanto amor, que o carregara no ventre e o alimentara pelo próprio sangue, como poderia ama-lo se era nada mais do que um monstro?


A parteira, como se lesse seus pensamentos, disse:


“Você sabe muito bem o que deve fazer. Ninguém será capaz de aceitar esta coisa. Livre-se dela imediatamente.”


“Não sei se conseguirei fazer o que é preciso. Tenho medo.” Ela respondeu.


A velha balançou a cabeça com rigidez, afastando-se cada vez mais da criança indefesa.


“Se você não fizer, serei obrigada a atira-lo ao Abismo eu mesma. É lá o verdadeiro lugar de perversidades como ele, obras da escuridão. Seu nome deveria ser Goétia[2].”


“Goétia? Quer dizer magia negra?”


“E de onde mais ele teria nascido? Se você não soube dizer a ninguém quem é o pai desta criança, nada mais óbvio do que entender que é do demônio.” Ela fechou o semblante ainda mais ao dizer aquilo, como se amaldiçoasse a própria boca por dizer tais palavras. “Eu deveria ter suspeitado mais cedo, mas não quis acreditar. Agora vou-me embora. Quando voltar, quero encontra-la fora daqui, de preferência no fundo do rio, dentro do estômago de algum crocodilo.”


Com isso, virou as costas e partiu, deixando-a sozinha com seus pensamentos sombrios. Seu corpo tremia tanto que teve de segurar as pernas com os braços, evitando dar solavancos muito fortes. O resmungo da criança ainda soava ao seu redor, exigindo atenção. Seus bracinhos roliços caçavam o ar, aparentemente a sua procura. Os lábios pequeninos já estavam roxos pelo frio. Ela o encarou por um tempo, esperando que morresse de uma vez, acabando logo com aquela agonia profunda. Sua vida já estava arruinada de qualquer modo.


Pelas próximas horas, permaneceu sentada ali, o corpo se balançando compulsivamente enquanto a escuridão da noite adensava ao redor. O barulho da vila diminuíra até se tornar um sussurro do vento. Todos dormiam, e não haveria momento mais oportuno. Ela finalmente tomou a sua decisão, arrastando os pés sobre a colcha ensanguentada e erguendo o corpo até estar de pé. Uma leve tontura a acometeu, entretanto ela não se permitiria sucumbir antes de ter finalizada sua tarefa. Juntou seus poucos pertences e vestiu roupas apropriadas, mal enxergando nas sombras do quarto. Movia-se apenas pelo tato e pela intuição, o choro da criança como um alerta constante da tarefa que precisava desempenhar. Só teve tempo de agarra-la nos braços e correr para fora, esgueirando-se pela noite adentro.


Como se pressentisse algo terrível, o bebê se calou. Imediatamente ele se inclinou contra ela, buscando calor. Mesmo que parte de seu corpo o rejeitasse como algo tenebroso, a outra parte a relembrou de que aquele era seu filho, a quem esperara durante mais de nove meses. Ela se lembrou do tempo de espera, da agonia excruciante de ver a barriga crescer lentamente, apenas imaginando com quem se pareceria ou como seria sua personalidade. Fora estranho demorar tanto a nascer, mais até do que o esperado. Era o sinal que não quisera ver, e agora sofria as consequências da própria tolice e ingenuidade. Enquanto corria pelas ruas escuras, era só o que pesava em seu frágil coração e no que pensava sua mente.


Ultrapassou ruelas e bosques, os uivos de animais perseguindo seus passos e o frio adensando-se sob as roupas de tecido fino. Conforme caminhava, seus braços pesavam com o denso calor de seu filho, aninhado em seu peito e dormindo tranquilo. Ela o espiava de tempos em tempos, primeiro assustada; depois, fascinada. Ele se encaixava perfeitamente a ela, nas curvas de seu corpo, que o abrigavam como sempre sonhara. Não fosse a luz da lua iluminando seu rosto feio, a criança quase pareceria normal.


O resvalar de seus pés sobre as rochas soltas foi o que a fez despertar dos devaneios. Presa em pensamentos sobre a criança, ela mal reparara que havia atingido seu destino. Seu corpo oscilou levemente na boca do Abismo, o vento chicoteando as saias do vestido sem piedade. O terror enviou um golpe gelado em sua espinha e a estrangulou a garganta, sem dó. Ela cairia ali se não fosse rápida em perceber o fim do caminho.


Com os pulmões trabalhando em busca de ar compulsivamente, ela encarou a escuridão abaixo. Era uma bruma densa e frígida que pairava sobre as paredes rochosas, que desciam de forma irregular, para baixo e adiante, até um fim cabal dentro do rio. Aquele era o destino de pessoas como ela e seu filho: o esquecimento. A parteira o chamara de Goétia, e com razão. Ele só poderia mesmo ser filho de alguma magia negra e estranha. Ninguém além da própria encarnação do mal seria capaz de conceber tal criatura vil e distorcida, e era a missão dela joga-lo de volta ao abismo escuro do qual saíra.


Ela encarou o bebê em seus braços, observando-o dormir tranquilamente. Ele se sentia seguro com ela, a sua mãe. E não haveria de estar? Era seu dever protege-lo da crueldade, ensina-lo a ser um homem digno. Como poderia ser covarde ao ponto de atira-lo ao rio quando ele, tão inocente, confiava cegamente nela? Prostrou-se de pé na beira dos rochedos, a pele trêmula, agarrando a criança com mãos que ao mesmo tempo a repeliam e agarravam. No fim, ela soltou um urro de desespero e não conseguiu mover um músculo sequer.


“Você não precisa fazer isso se não quiser.” Disse uma voz atrás de si.


Com um solavanco, ela se virou naquela direção, os olhos arregalados. Demorou a acostumar a visão com a escuridão penetrante entre as árvores, mas, tão logo as luzes clarearam o ambiente, notou o vulto semioculto pelas sombras. Era uma figura alta, magricela e de aparência frágil. Estava curvada sobre um cajado, que se fincava fortemente na terra pela força de seu aperto. Como se soubesse que ela o examinava, atenta, ele se aproximou a poucos passos, permitindo que a luminosidade prateada da lua cheia aos poucos o revelasse.


Era um homem; mais precisamente, um senhor já de idade avançada. Seus olhos escuros eram misteriosos e pareciam sonda-la com perspicácia. Uma longa barba cinzenta descia de seu queixo pontudo, moldando o rosto comprido e a boca pálida. Vestia nada mais do que uma velha túnica cinzenta, surrada e suja na barra; nos pés, usava botas de couro gasto. Não havia nada em suas mãos além do toco de madeira, mas ela sentiu a ameaça de sua presença assim mesmo.


“Quem é você?” Quis saber. “O que quer?”


“Quem sou eu?” Ecoou ele. “Ora, isso não importa. Creio que a questão mais oportuna é o que você está fazendo aqui a uma hora destas, ainda por cima à beira do Abismo.”


Ela fechou a expressão.


“Não faço nada mais que minha obrigação.”


“Oh, é mesmo? E qual parte dela envolve atirar esta doce criança aos crocodilos?”


Ela hesitou por um momento, indecisa. Certamente fora pega desprevenida com aquela pergunta, temerosa por não saber ao certo quem era aquele sujeito. Estava com medo e em pânico, intercalando olhadelas entre o estranho, seu filho e o Abismo logo abaixo. Questionou-se, não pela primeira vez, se não seria mais fácil se atirar ali com ele e acabar de uma vez com tudo.


“Bela moça, pare de pensar asneiras.” O velho ralhou, as sobrancelhas grossas se franzindo ao encara-la. “Quer acabar com a própria vida? Tudo bem. Mas não leve consigo este pobre inocente. Ele não tem culpa de suas más escolhas.”


“Más escolhas?” Gritou, indignada. “Quem o senhor pensa que é para me indagar? Mal sabe pelo que passei, ou o que me trouxe até aqui. Se pudesse ao menos dar uma espiadela neste rosto horrendo, veria sobre o que falo.”


Ao ouvir suas palavras, ele titubeou.


“Rosto horrendo?” Perguntou, confuso. Ela soltou um longo suspiro.


“O meu filho.”


Curioso, o estranho se aproximou dos dois. A mãe, subitamente defensiva, deu dois passos para trás, porém, encurralada pelo Abismo, mal conseguiu se mover. Uma ira mortal tomou conta de sua mente e a fez rugir para que ele se afastasse. Ele parou no mesmo instante, atônito.


Encarou-a por um longo momento e então falou:


“Não se preocupe. Eu não faria nada pior ao seu filho do que você mesma.”


Com isso, ela se calou. Seus ombros murcharam e os joelhos cederam. A mãe finalmente sucumbiu ao terror e seu corpo foi ao chão, encolhido ao redor de si mesmo, sem reação. Não havia mais preocupação. Não havia mais nada. O homem se aproximou, cauteloso, observando a moça em seu pranto agoniado. Percebeu que ela se agarrava ao embrulho em seus braços como se não quisesse solta-lo. Ele tratou de espiar em meio às brechas do pano que escondia o corpinho dele, conferindo o rosto da pequena criatura.


“É realmente horrendo.” Admitiu. A mãe só chorou ainda mais.


“Vê como é difícil minha situação? Sei o que devo fazer, mas não posso. Sou fraca.”


“Você não me deixou terminar.” Acusou, mas logo os traços de seu rosto suavizaram. “Ele é de fato horrendo, mas eu enxergo um grande futuro em seus olhos. Entregue-o à morte e nunca descobrirá os feitos que ele será capaz de realizar.”


“Como pode ser isso verdade? Ele é demente, também vejo em seus olhos a loucura, além do futuro que tu enxergas. Fui compelida a atira-lo ao Abismo. Não posso aparecer no vilarejo o carregando nos braços, irão mata-lo.”


O velho por muito tempo permaneceu em silêncio, meditando. Ele encarava a criança no colo dela como se realmente passasse em sua mente todo um futuro glorioso. Quando voltou a falar, enfim, sua voz atingira um tom grave:


“O que posso fazer é o seguinte: prometer-lhe-ei um feitiço, e apenas um. Por um tempo mascararei a feiura do rosto de seu filho, mas não eternamente. Não tirarei sua demência, para que vejam mais tarde o quanto podem enganar as aparências. A beleza finalmente acabará quando ele conquistar o direito de se casar com a moça por quem se apaixonar.”


“Por que o senhor faria uma coisa assim?” Exclamou ela, atônita.


“Eu sou poderoso, um dos magos desta floresta, mas minhas habilidades são destinadas aos fortes de espírito. Pude perceber que você, como uma boa mãe, ama muito este menino. Mesmo com sua debilidade, você não o rejeita, porém isso não significa necessariamente que ele será aceito pelos demais. Aprendi que devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade[3], para que eles possam ser incluídos em nossa vida. Não se preocupe, por um tempo ele será feliz em sua ignorância do mundo, entretanto isso será temporário. Prevejo feitos honrosos para ele.”


E assim, sem mais uma palavra, o mago ergueu seu cajado e com ele batucou o chão em um ritmo frenético. A terra sacudiu levemente, as pedras quicando pelo piso liso das rochas. Um brilho esverdeado iluminou a ponta do báculo e se espalhou pelos frisos da madeira até atingir a outra extremidade, a que entrava em contato com o solo. Logo, os raios se espalharam e cercaram o menino, transformando seus traços, de deformados, para belos e alongados. Onde houvera rugas e reentrâncias, a pele se tornou lisa; onde os olhos se separavam, dando voz à demência, agora se ajuntavam, dando impressão de lucidez. Mesmo sabendo que ele não deixara de ser deficiente, a mãe suspirou, impressionada com a mudança.


Ela ainda encarava o bebê quando exclamou:


“Obrigada. Estou imensamente agradecida, senhor.”


“Agradeça a mim quando ele cumprir a finalidade dos meus esforços.” Disse, os ombros curvados pelo esforço recente. Virou-se de costas enquanto ela se distraía pela aparência do menino e sumiu das vistas, desaparecendo misteriosamente.


Muito tempo se passou depois disso. O menino crescia com força e destreza, rodeado de amigos e admiradores. Sua aparência era tão bela que nenhum deles parecia se importar com os trejeitos lerdos, a demora na fala e no raciocínio, pois era corajoso e compensava tudo isso com sua bravura. Como prometido, sua mãe o criara para lutar contra as injustiças a seus semelhantes e a acabar com a tirania do rei, que insistia em obrigar os pais a atirar seus filhos ao Abismo quando não nasciam da forma desejada.


Dia após dia, o menino se tornava um homem. No ápice de sua juventude, reuniu seus companheiros de viagem, tão corajosos quanto ele, e finalmente organizou um levante. Tomou o castelo, descobrindo que o verdadeiro culpado por aquela situação de morte e depravação era, na verdade, um feiticeiro que há muito tempo tinha se voltado para o lado do mal. Goétia, então, percebeu sua verdadeira função naquela revolução. Ele pôde finalmente subjugar o feiticeiro e libertar o rei de sua prisão. E como agradecimento, admirada que estava sua filha pela bravura do honroso cavalheiro, logo ofereceu sua própria mão em casamento.


No entanto, o feitiço se quebrara. Quando conquistaram os direitos de não mais ser mortos, adquirindo a liberdade para viver e amar, a missão se cumprira e os efeitos que o tornavam belo aos olhos pararam de existir. A feiura de outrora voltou à tona, apavorando muita gente que o seguia. Apesar disso, ele provara seu valor, e todos sabiam muito bem disso. Gritavam seu nome, “Goétia! Goétia! De monstruosa só tem a falta de modéstia!” enquanto o carregavam nos ombros para fora do castelo, seus rostos sorridentes e exalando alegria.


Sua mãe o esperava na porta, gritando junto dos demais. Ela o olhou com evidente orgulho, enchendo o coração dele de compaixão, mas seus olhos foram atraídos quase imediatamente à princesa, filha do rei, a que oferecera a mão em casamento como forma de agradecimento. Ela não o encarava nos olhos quando ele se aproximou, mas pegou em sua mão sem medo.


Goétia respirou fundo.


“Será que a jovem dama ainda deseja se casar com tal criatura monstruosa, agora que se revela como verdadeiramente é, e não uma mentira?”


“Ora, mas é claro. Nunca me importei com sua aparência, se era belo ou feio. Apaixonei-me por sua bravura e destreza em acabar com o terrível feiticeiro.”


“Mas como posso acreditar nisso se não consegue nem me olhar nos olhos?”


Ela soltou uma risadinha acanhada.


“Se olhasse para seu rosto ou para seus pés não faria diferença. Eu nasci não podendo enxergar, sou cega.”


“Cega?” Ecoou ele, espantado. Ela assentiu.


“Quando eu nasci, não de imediato enxergaram minha deficiência, mas, com o passar dos dias, atestaram a debilidade. Disseram os conselheiros de meu pai que não contasse nada ao feiticeiro, que me escondesse de todos, senão ele me jogaria ao Abismo como punição por minha magia negra. Mas agora tudo mudou. Você nos salvou a todos, Goétia. Seus atos corajosos me libertaram e lhe serei eternamente grata. Desejo me casar com um homem assim para que possa governar ao meu lado de forma justa até o fim de meus dias.”


Muito honrado, e já caindo de amores pela bela dama, Goétia finalmente pôde aceitar seu pedido, tornando-se príncipe e, depois, o Rei, que, ao lado da Rainha, governaram um mundo novo de alegria, onde os desiguais não precisariam mais ser tratados de forma diferente da que mereciam.


 


[1] Este texto nasceu a partir da provocação feita pelo professor Marcos Catalan no curso Contratos – oferecido aos graduandos da Unisinos no segundo semestre deste ano – quando das primeiras discussões visando a organização dos seminários de temas que integram a proposta pedagogica do referido curso. Em uma palavra, eis a provocação de nosso professor que aqui tentamos atender: - Supreendam-me.


[2] Goétia, em latim, significa “a arte de uivar”, ou, entre termos, simplesmente magia negra. No Grimório de Salomão, livro conhecido como A Chave Menor de Salomão, datado do século XVII, é detalhada a prática de invocar anjos caídos, isto é, de interagir em magia com demônios.


[3] Aristoteles, Grécia Antiga.


 


Imagem Ilustrativa do Post: Darkness // Foto de: richzepol // Sem alterações


Disponível em: https://www.flickr.com/photos/kokzkie/9647760682


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