Aprenda a ser respeitado por qualquer pessoa usando a sua linguagem corporal

09/09/2017

Por Mario Porto – 09/09/2017


Seu corpo, sua maior arma durante uma interação 


Quase 100% das interpretações que seu interlocutor faz de você são subconscientes dado à nossa evolução e anos de observação, também, subconsciente. Sendo assim, nem você nem ele sabe, mas ambos estão, subconscientemente, analisando o outro a todo momento durante uma interação pessoal. Logo, cuidado com o que você não sabe que mostra e com o que não sabe que as pessoas veem!!!


Um estudo cita que a linguagem corporal representa 55% da importância em uma comunicação frente-a-frente com seu interlocutor. Quando trabalhamos a linguagem corporal na oratória, uma palavra é essencial, “congruência”. Um orador que domina a comunicação congruente consegue transmitir a mesma mensagem simultaneamente com suas palavras, voz e corpo como se fossem um só. É o conjunto da obra. E quando falo de linguagem corporal, não falo só da movimentação, como também da aparência, do sorriso, da primeira impressão. Estudiosos do assunto dizem que para o interlocutor estabelecer sua primeira impressão em relação à você, ele não necessita mais que 4 segundos. Sendo assim, sabendo que isso acontece com frequência, e no intuito de não ter que ficar correndo atrás de desfazer uma má primeira impressão, utiliza-se a regra O.S.P. (Olho, Sorriso, Palmas).


Olhos: Manter contato visual na regra 7/1, olhe por 7 segundos e desvie por 1;


Sorriso: Sorria sempre, o sorriso mostra confiança e confiabilidade;


Palmas: Palmas das mãos sempre à mostra;


Nós, seres humanos, temos uma tendência evolutiva e involuntária de desconfiar de pessoas que escondem suas mãos e de temer aqueles que usam o dorso da mão voltada para cima ou para frente. Quando se exibe as palmas, o outro interpreta isso como uma demonstração de confiança, assim como o sorriso.


Ao falar, nossos movimentos devem ser calmos, gentis, limitados, concisos, precisos, respeitando o tempo e velocidade sempre de acordo com as palavras. E cuidado, não seja um mímico e nem fique andando de um lado para o outro. Longas pausas tanto para o andar quanto para as mãos são muito importantes, deixe para usar o caminhar e o restante do gestual para intensificar suas palavras, para dar vida à uma citação e dar eloquência em sua fala. Aqui, menos é mais.


Os tópicos seguintes servirão para falarmos mais especificamente de cada parte de nosso corpo com o intuito de lhe direcionar para uma comunicação que demonstrará autoconfiança. Variando alguns movimentos que vão desde a dominância até a submissão, ambas são necessárias, cabe à você saber quando usá-las.


Todos as leituras das linguagens corporais que verão a seguir são baseadas em estudos feitos por meio da observação da comunicação de pessoas de todos os lugares do planeta, e que vem se repetindo ao longo de séculos o que fez com que o ser humano pudesse identificar, mesmo que involuntariamente, o que cada um representa, agradando ou não nosso subconsciente. Em muitos momentos não gostamos de conversar com alguém sem nem ao menos saber o motivo, provavelmente esse é o nosso subconsciente em desacordo com a linguagem corporal da pessoa à nossa frente.


Obs. as micro expressões faciais são involuntárias e algumas são universais, não importando a cultura ou criação do indivíduo. Já a linguagem corporal voluntária, como cruzar de pernas, cumprimento, sorrisos são linguagens que podem variar de acordo com a cultura na qual a pessoa esteve inserida. Quando se trata de uma apresentação do tipo palestra, o gestual é compreendido quase que em todo o mundo, porém, alguns gestos devem ser evitados ou adaptados de acordo com a cultura local!


Quando estamos frente a frente, a comunicação é dividida em:


Gráfico


O estudo citado anteriormente foi feito por Albert Mehrabian, um professor iraniano na década de 60. No estudo, ele diz que o percentual referente a importância de cada um é respectivamente de 7%, 38% e 55%, por isso, essa regra é conhecida pela regra 7-38-55. Apesar de terem sido usadas inicialmente apenas 17 mulheres como sujeitos de pesquisa, esse estudo nos fez dar mais atenção ao poder da linguagem corporal, outras pesquisas foram feitas depois disso e os resultados não têm sido muito diferentes, justamente por que já é comprovado a importância superior do tom de voz e do corpo acima das palavras. Importa mais “COMO” falar a “O QUE” falar. A entonação pode salvar ou arruinar seu discurso mesmo que as palavras não estejam fazendo muito sentido. Assim como sua linguagem corporal, que caso não esteja em acordo com o que diz, poderá levar sua apresentação por água abaixo.


Então qual seria o valor correto referente a comunicação frente a frente? A resposta seria simples:


Não existe uma fórmula, pois todos os aspectos são importantes e necessários, porém, de acordo com o ambiente, público, nível de conhecimento, objetivo do público e demais pontos referentes ao interlocutor, cada um deles será tão ou mais importante que o outro, cabe a você saber em qual deve investir mais, porém, jamais deixando os outros de lado!


Quanto tempo demora para o interlocutor ter sua 1ª Impressão a seu respeito? Não mais que 5 segundos, afirma Ammy Cuddy, uma professora da Havard Business School que estuda o assunto há mais de 15 anos. Mas por que isso acontece?


Pois é um recurso adaptativo do ser humano de autodefesa. Se a pessoa apresenta ameaça fugimos, se apresenta confiabilidade nos acalmamos e depositamos confiança nela. Isso tudo acontece inconscientemente e subconscientemente em uma fração de segundos, de acordo com os cientistas. Por isso, quanto melhor se apresentar - tanto direta como indiretamente – melhor para obterem uma boa primeira impressão à seu respeito! 


Pés e caminhar


A abertura das pernas determina sua intenção, seu posicionamento perante o público e revela o grau de confiança e domínio da pessoa no contexto onde está inserida.



  • Pés afastados na largura dos ombros, liderança;


Pés afastados na largura dos ombros



  • Muito afastados, dominância exagerada;

  • Juntos, falta de confiança;

  • Cruzados, desacordo com o que diz e incita a desconfiança (não utilize em palestras e apresentações);


Cruzados



  • No caso das mulheres, em vez de afastar as pernas, pode afastar um joelho para o lado ou posicionar um pé à frente;


Imagem 4



  • Quando estiver sentado, deixar os pés planos ao chão indicam que você está bem confiante. Caso cruze os pés/calcanhares (atenção, pés, não pernas), pode passar uma imagem de que esteja retraído e lhe falta confiança.



  • O caminhar em apresentações deve sempre ser feito para frente e para os lados. Quando for necessário recuar, use a diagonal, evitando andar para trás. Lembre-se sempre de usar pausas no caminhar. Alguns passos, pause, mais passos, pause. E sempre quando pausar, utilize uma das posições correspondentes à intenção supracitada.  


Imagem 5Imagem 6 


Tronco


Postura ereta, evite deixar os ombros caídos e/ou duros, seja maleável. Quando estiver sentado à frente do seu interlocutor incline levemente o tronco em sua direção para demonstrar interesse, evite esse movimento de forma exagerada, chegar muito perto pode ser interpretado como invasão e enfrentamento.


 


Braços e mãos


Evite a comunicação com os braços cruzados, eles representam descrença, afastamento, desinteresse. Caso use seus braços cruzados, deixe seus dedões à mostra, passa mais confiança do que escondendo as mãos. Polegares representam sinal de ok, de acordo, de coisas boas.


Bolso


Mãos no bolso ao falar são vistos como falta de confiança, ansiedade, medo (ou frio!). A única forma correta de utilizar as mãos no bolso é quando somente os dedões ficam para fora. Mas mesmo assim não é recomendado falar em público dessa forma, essa posição é para descanso ou espera.


Imagem 7


A mãos devem estar sempre livres (exceto caso esteja segurando um microfone ou passador de slides), evitando sair do retângulo de controle como na figura abaixo:Imagem 8


Evitando ultrapassar acima do queixo, abaixo da cintura, esticadas para os lados e cruzando a linha central do corpo. E em hipótese alguma use o gestual de mão na frente do seu rosto ou descanse abaixo do quadril (observe as linhas na imagem anterior).


Imagem 9A posição da cúpula do poder é sempre bem-vinda. Mas não permaneça assim, trabalhando o gestual e voltando para a cúpula do poder ao final do gesto.


Em caso de socialização a cúpula do poder não é recomendada.


Usar a técnica da bola invisível é uma forma de gestualizar com as mãos facilitando o controle sobre elas. Aqui, gestos simétricos são mais indicados.


Prefira gestualizar em curvas, gestos retos remetem à autoritarismo.


Imagem 10


Imagem 11Pesquisam apontam que quando usamos nossas palmas voltaram para cima ao requisitar ajuda, compreensão, aproximação de alguém, temos 70% de respostas positivas.


Palmas voltadas para baixo também remetem à autoritarismo, mas são utilizadas quando é necessário impor ordem.


O gestual é sempre recomendado em momentos que usamos palavras referentes a ação, tamanho, dimensão e sentimentos. Esses gestos ajudam a intensificá-los e facilitar a compreensão, firmando a informação passada.


Imagem 13Mãos paralelas são utilizadas quando se transmite uma informação sem possibilidade de alteração “sou contra a homofobia”, “sou a favor da paz”.


Evite apontar os dedos, quando necessário fazer referência a alguém prefira usar a mão estendida com o polegar semiflexionado.


Cabeça


Ao inclinar ligeiramente sua cabeça na direção do interlocutor (em diagonal), passará a imagem de interesse, de atenção. E jamais se afaste no momento em que a pessoa falar, isso poderá ser visto como descontentamento e repulsa.


Olhos


Aqui a regra é simples, olhos nos olhos, sempre. Use a regra 7 pra 1 como já citada anteriormente, caso queira, 7 segundos de contato visual, 1 segundo desviando o olhar (não desvie para longe), olhe o cabelo, a boca, nariz e rapidamente volte para os olhos.


Para apresentações em público use a técnica “cama de gato”, escolha algumas pessoas do público para olhar diretamente nos olhos, ao levar seu olhar de uma pessoa para outra, você passará o olho, lentamente, por todas aquelas no caminho. Seu olhar será em direções aleatórias, porém parecerá que você está olhando diretamente no olho de cada um. Por vários momentos, muitas pessoas da plateia acreditarão que você olhos especificamente para elas!


Veja em “Resposta do público” (abaixo) o que representa a direção dos olhos, para entender o que pode estar passando na cabeça de seu interlocutor.


Vestimenta


Vestir-se de acordo com o seu tema é extremamente recomendado, porém, em muitos momentos, nos encontraremos nas vestimentas mais formalmente que o tema para estarmos de acordo com o momento ou evento. Por isso, lembre-se sempre de saber qual a vestimenta tradicional do lugar ou evento no qual fará sua apresentação. Não tenha medo de pecar para mais (só não exagere), e evite ao máximo pecar para menos. É mais natural agradar mais pessoas quando se está mais arrumado do que o casual; não seja a única pessoa sem gravata do salão. Sendo assim, pergunte ao organizador, o traje que será utilizado no evento. Leve em consideração o tema do discurso, o local, a temperatura do local, sua imagem própria e o evento. Na dúvida, use o social.Imagem 14


Resposta do Público


Leve a resposta do público em consideração, sempre que possível. Mas como saber se as pessoas estão contentes com o que falamos? Simples. Se eles se encontram em concordância com a maioria dos gestuais citados acima quanto à pernas, tronco, cabeça e olhos, provavelmente estão atentos e muito interessados no que você diz, se estiverem sorrindo, então ponto para você, objetivo concluído!


Normalmente o público se identifica e acaba seguindo esse padrão de sintonia e atenção: o tronco encontra-se ereto ou inclinado a frente, os braços não se cruzam, o olho está sempre atento e fixado em você, um leve ou grande sorriso estampado, pernas semiabertas e pontas dos pés direcionadas para você (caso as pernas não estejam cruzadas). Esse conjunto que forma a pose de atenção total é o que você procura.


E quando o interlocutor estiver completamente diferente? Nesse caso tente captar a atenção do mesmo, aproxime-se, faça referências a ele, olhe para ele sorrindo, faça-o perceber que ele é importante em meio a dezenas, centenas de outras pessoas. Isso é bem interessante quando identifica alguém da plateia que está próximo a você e essa pessoa está olhando constantemente para o celular. Ao chamar indiretamente a atenção dela, com toda certeza, prestará mais atenção dali em diante.


O olhar de discordância: Caso você esteja apresentando um projeto ou em um concurso de oratória, ou TCC, por exemplo, onde seu tempo é curto e limitado, você está sendo avaliado por jurados e você normalmente não tem interação direta com o público, evite olhar diretamente nos olhos das pessoas se não estiver tão auto confiante, isso evita que você consiga perceber a resposta do público, que nesse momento não importa e pode acabar lhe distraindo e causando brancos (culpa do estresse elevado e uma noite mal dormida).


Quando a apresentação for mais direta, com poucos ou só 1 interlocutor, como em entrevistas de emprego, vendas, apresentando – somente e diretamente – para uma banca de jurados à sua frente você pode reparar nos sinais corporais, mas agora pode atentar-se aos olhos. Nossos olhos se movem involuntariamente de acordo com o que estamos pensando.


Quando o olhar se move rapidamente para cima, geralmente estamos requisitando uma memória visual ou criando uma. Quando olhamos para os lados o sentido a ser requisitado é o da audição, memória e criação auditiva. Olhar para baixo já é um pouco mais complicado e envolve a parte de micro expressões faciais, podendo ser vergonha, culpa ou simplesmente uma conversa interna.


E agora, como você, ou melhor, seu corpo tem se saído em suas interações? Nosso corpo fala e grita, lembre-se sempre disso!


Caso tenha ficado alguma dúvida, não deixe de entrar em contato comigo para que eu possa lhe ajudar com qualquer que seja a sua necessidade! Um grande abraço e até a próxima semana!




Mario PortoMario Porto é campeão nacional e especialista em oratória, pós-graduado em gestão empreendedora e criador da Porto Desenvolve, uma empresa de desenvolvimento comunicativo humano. Ministra palestras e cursos nas áreas de oratória, linguagem corporal e micro expressões faciais para serem aplicadas em apresentações, interações sociais/empresariais, e para retirar o medo e a ansiedade das pessoas de falarem em público, ou até, virtualmente.




Imagem Ilustrativa do Post: Hands // Foto de: jeanbaptisteparis // Sem alterações


Disponível em: https://www.flickr.com/photos/jeanbaptisteparis/2883620242


Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode




O texto é de responsabilidade exclusiva do autor, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Empório do Direito.




 

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