A rapsódia boêmia e a longa estrada

12/04/2018

Passou algum tempo desde a última coluna que escrevi sobre Direito & Rock na Empório do Direito. Assim como as inúmeras “últimas” tours de monstros sagrados do rock tais como Ozzy e The Who, imaginei que, depois de dez de setembro de 2017, dia de publicação da coluna em que homenageei Ricardo Aronne com um acróstico, eu teria esgotado o tema. Eu me enganei.


Como diria Mr. Coverdale, here I go again!,  por qual razão decidi retomar a coluna? Vários motivos poderiam ser listados, partindo-se da colonização do Direito em relação aos demais sistemas sociais até o realismo fantástico do cotidiano brasileiro.


A razão maior, todavia, foi muito mais simples. Está relacionada a um sentimento que somente consigo explicar via rock. O Pearl Jam tocou como banda de apoio de Neil Young em um disco chamado Mirror Ball. Aproveitaram a oportunidade e gravaram um EP denominado Merkin Ball. Nesse EP há uma música chamada Long Road. Belíssima. Em determinado momento, Eddie Vedder canta: 


Andarei a longa estrada?


Não posso ficar... 


Há momentos em que partir é o melhor momento; em outros, permanecer é a solução mais apropriada. Nesse in between, há a dúvida e a indecisão. Um tempo precisa ser dado em momentos de crise – inclusive do Estado de Direito -, para que as expectativas se estabilizem. Por isso é que o Pearl Jam, na canção citada, afirma: 


Todos os amigos e familiares


Todas as memórias voltam e rondam, rondam... 



Nesse estado de suspensão com relação ao Direito & Rock é que eu me encontrava até o dia quatro de abril de 2018. Foi nessa data que eu tomei posse como Reitor da UniRitter, e, para surpresa minha, em dois discursos que me precederam, a Direito & Rock foi citada. Mas o que me desmontou, mesmo, foi a Orquestra Jovem de Câmara ter tocado a Boehmian Rhapsody, do Queen, como ato final da sessão. Lá estava eu, em um momento único para um acadêmico, cantando: 


Isso é a vida real?


Ou isso é somente fantasia? 


Aquilo ficou na minha cabeça. Veio o aniversário do Aronne dois dias depois e toda a celeuma jurídica desses dias em que, ante o julgamento do HC sobre a prisão do ex-presidente Lula, o Supremo Tribunal Federal se tornou o assunto principal dos rumos da sociedade brasileira, a indicar um sério problema de sobreposição de funções entre os poderes.


Assim, todos esses acontecimentos me fizeram ter a certeza de que eu deveria voltar a escrever sobre Direito & Rock, afinal, na linha da canção do Pearl Jam, “o sol irá nascer outro dia”. Parafraseando Eddie Vedder, se eu quero ou não ficar, se eu quero ou não escrever, não importa. O fato é que todos nós andaremos a longa estrada!


 


 


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