A intolerância e o fascismo

15/04/2018

Semana passada, escrevi sobre a prisão do ex-Presidente Lula. Nas redes sociais, seja na página em que esta coluna é publicada, seja em meu próprio perfil, choveram críticas. Isso seria absolutamente natural e saudável, não fosse o teor das manifestações. Tratou-se exclusivamente de xingamentos ou adjetivos negativos desprovidos de qualquer espécie de fundamentação.


Enquanto se busca, por meio deste espaço, promover a discussão a respeito de um tema de tamanha relevância para o país, há quem acredite que a sua opinião vale mais que a dos outros e ponto final. Isso é um comportamento intolerante e fascista e com isso não aceito lidar.


Outra questão que me chamou a atenção foi a afirmação de que este se trata de um espaço para discussões jurídicas, não políticas, razão pela qual o texto não seria adequado. Ora, em primeiro lugar, tratar da legalidade de uma prisão, abordando questões probatórias e outros aspectos processuais, a meu ver, é uma questão jurídica, ainda que se trate de um líder político o protagonista do caso. Ademais, aspectos políticos e jurídicos não são apartados – especialmente no Brasil atual –, mas apresentam inúmeros pontos de intersecção que não podem ser ignorados.


Dar-se ao trabalho de registrar críticas desprovidas de qualquer fundamentação ou ignorando o cenário jurídico-político nacional é uma atitude que demonstra a falta de efetivo conteúdo dos brasileiros que se consideram “cultos”, que são os mesmos que acreditam no fim da corrupção por meio da prisão de Lula. Poderia simplesmente ignorar tais comentários, mas acredito que nosso papel também seja de combater a intolerância. Fascistas não passarão.


 


Imagem Ilustrativa do Post: El Fascismo Mata  // Foto de: Adam Jones


Disponível em: https://www.flickr.com/photos/adam_jones/4610159382


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