MERGULHAR FUNDO PARA PODER RESPIRAR

10/06/2019

Li num meme esses dias: “SEJA FODA! O MUNDO ESTÁ CHEIO DE MÉDIA 7”. Fiquei pensando no esforço que muitas pessoas fazem para, no máximo, alcançarem a média exigida pela profissão, pela família, pela pós-graduação e na alegria que sentem por estarem ao lado de tantos companheiros de luta que, também com muito esforço, alcançaram o mínimo necessário para a aprovação.

A propósito, discutindo (no bom sentido) com meu filho João Pedro sobre as notas dele na escola, eu falava da diferença entre passar na escola e dar o máximo para passar na escola. Meu filho, um terrível argumentador, trouxe vários argumentos: falência dos métodos de avaliação, crise do modelo pedagógico voltado para o ENEM, ausência de incentivo à reflexão, dentre outros vinte e três pontos. Terminamos a discussão, falando de caráter. Pedi que refletisse sobre os modelos impostos pela sociedade e sobre nosso papel diante desses modelos. Contestar é indispensável, mas há tempo, espaço e forma para tudo nessa vida. A dedicação e a responsabilidade depositadas na execução de uma atividade mostra quem somos, o que queremos, como estamos, para onde queremos ir e antecipa, de certa forma, onde chegaremos. Nossas atitudes mostram quem somos, muito mais do que horas de discurso.

Ir bem na vida depende de uma série de fatores, inclusive sorte. Mas, na parte que nos toca, naquela parte que depende da nossa atitude, devemos colocar toda a nossa energia, nossa força, nossa capacidade de superação, sem importar qual a média, o razoável, o suficiente.

E antes que alguém pense que é um texto de autoajuda, quero deixar muito claro que ele é, antes de qualquer outra coisa, um texto-puxão-de-orelha. Assume tua parte. Faz o que deve ser feito. Levanta dessa zona de conforto e te mexe.

Com Fernando Pessoa, lembra de ser completo, integral, sem sobras: “Para ser grande, sê inteiro: nada exagera ou exclui./Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/No mínimo que fazes./Assim em cada lago a lua toda/Brilha, porque alta vive”.

No dia 11 de junho (próximo), estará aberto o prazo de 24h para inscrição na IMERSÃO 2019 (www.imersao2019.com.br). A terceira edição do evento promovido pela Escola de Criminalistas reunirá profissionais de diversas áreas para discutir a Advocacia Criminal Artesanal, desde a perspectiva do autoconhecimento. Profissionais da psicologia, artistas, juristas, todos reunidos no frio da Serra Gaúcha, num ambiente cercado de bom vinho, boa comida, muita troca de conhecimento e muita diversão.

Nomes como Jacinto Nelson de Miranda Coutinho (PR), Marco Aurélio Nunes (PR), Andresan Machado (RS), Danilo Christidis (RS), Antônio Carlos Almeida Castro (MG), Eleonora Nacif (SP), José Eduardo Cardozo (SP), Kenarik Boujukian (SP), Maíra Fernandes (RJ), Tarso Genro (RS), Rodrigo Munari (RS), Paula Borges (RS) e Laila Palazzo (RS) falam da expectativa daquilo que o mergulho deverá proporcionar a cada participante.

Imergir em busca do autoconhecimento. O criminalista não pode ser um média sete.

A defesa deve ser plena, cabal, completa. Por isso, gente medíocre, acomodada, preguiçosa, amedrontada, covarde, não pode exercer a difícil arte da advocacia criminal. Não é uma questão de pequena importância, porque a liberdade de uma pessoa está nas mãos do advogado criminal e não há espaço para uma atuação mediana, dentro da média, de qualquer jeito. Advogar no processo penal é entregar-se, sem medida, sem ressalva, sem medo. Não há advocacia criminal mais ou menos.

Intensidade.

Eu disse com eloquência para meu filho, digo aos meus amigos, aos meus alunos, aos meus pares: sejam intensos. Nada de meia-boca, meia-sola, meia-hora. A vida é um permanente estado de emergência e não podemos desperdiçar nosso maior ativo, nosso maior tesouro, aquilo que dá sentido à liberdade, à vida, ao trabalho: o tempo.

O tempo é a coisa mais importante da nossa vida. O bom uso do tempo determinará quanto futuro jogaremos no passado para a construção de um presente que valha a pena. O incerto futuro confere uma importância absurda para o tempo, quando nos coloca diante do sempre imprevisível final. Quando será? Não sabemos. Portanto, seja intenso e faça de cada minuto um presente recebido para ser nada menos que uma pessoa muito foda.

Mais não digo.

 

O texto é de responsabilidade exclusiva do autor, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Empório do Direito.

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