Uma reflexão de 15 de março de 2015, apenas – Por Evandro...

Uma reflexão de 15 de março de 2015, apenas – Por Evandro Limongi Marques de Abreu

Por Evandro Limongi Marques de Abreu – 16/03/2015

Se alguém tem a sensação de crise e de caos, de que todos (talvez até o próprio) estão loucos, que é possível estabelecer onde o certo e o errado ficam, que já não se liga para nada, e que o tempo parece estar “encurtando” cada vez mais, é de se sentir pena de dito sujeito.

Abordei recentemente, aqui mesmo, o tema educação; e fico a pensar: como não retornar a ele? Falta educar para além da formalidade dos rotos banquinhos e do quadro cuja cor é indefinida e nele a mensagem eterna é um borrão.

Agora está-se a discutir a educação religiosa (http://www.conjur.com.br/2015-mar-11/audiencia-publica-stf-discutira-ensino-religioso-escolas), mas o caso, em essência, é outro, bem outro – tem a ver com a casa, tem a ver com a rua, numa deliciosa e nostálgica dialética.

Refiro-me à educação política, àquilo que uma dada circunstância de força e obtusos comparsas fez questão de liquidar, levando alguma coisa outra a ser ruminada nos banquinhos quebrados (vários o são, de verdade, sem conserto) que mencionei jocosamente.

Um na esteira da outra, sorrateiramente lá vem o moralismozinho de sempre (parece um ser, uma entidade, mas é uma praga!) imiscuir-se onde não chamado e com ares de uma sobriedade de sonho de sarjeta – à ausência de educação política, brotam efeitos de franca manipulação e de grotesco desacerto.

A bola da vez é a corrupção. Mas antes do torrão chamar-se Brasil e de quase dar-se cabo de todo ele (do pau-brasil, que muita gente nunca viu – ei-lo aqui, em https://www.google.com/search?client=safari&rls=en&q=imagem+do+pau-brasil&ie=UTF-8&oe=UTF-8#rls=en&q=imagens+do+pau+brasil&revid=1465288792), ela, em  suas alvíssaras, campeava.

Que dizer de quem reclama de “robalheira” e pega o que pode de carga no asfalto de caminhão acidentado; que estaciona seu veículo para pilhar, para subtrair? E de quem cola na escola, que assina trabalho que não fez, que plagia no TCC e alhures? Que ataca nas diárias e, como síndico do condomínio, leva aquela “pequena” e “natural” vantagem?

Conhecem alguém assim? (uma pausa digamos meia-boca.) Amigos, não é diferente não!!!

E que acontece com quem detesta que a empregada doméstica tenha direitos? Se ela estuda então… Ah, a bela, absorta e descuidada escravidãozinha diária! Mas reclama que seu salário não dá, que o maldito governo não lhe dá aumento há séculos! Bolsa-família (para os outros) não – são vagabundos -, mas a (minha) do estilista tal e qual (todos sabem a que me refiro, né?) eu simplesmente exijo! E por aí vai, vamos, e os outros talvez sigam.

Até quando? Não sei. O que sei é que a crise do capitalismo no mundo todo é essa a que assistimos. Tá na cara que a da democracia também. Ajustes? O jogo é dado, sem trocadilho, claro (essa foi pro amigo Alexandre Morais da Rosa). Ganha-se, perde-se; mas negocia-se em bases aceitáveis também!

O certo e o errado (sem acusação de relativismo, por favor!) predominam apenas. Não há como ter fixações idealistas, utópicas. Julgamentos morais são feitos por julgadores moralizados e mantidos por colegiados de idêntico matiz, todos formados (formatados?) em escolas de Direito mais moral que legal e jurídico.

Cada vez mais o quê fazer e todos malucos. Explica-se: a oferta é demasiada e dói à beça ter que escolher, fora o trabalho envolvido nisso. Perde-se tempo escolhendo e perde-se tempo querendo o todo. Resultado… Pegue a pilulazinha. Não a azul, aquela outra para dormir, cara.

A azul tem sua vez, já que a agitação “fio desem-capado” leva ao “insucesso” mesmo, mas o sono se esvai com a pré-ocupação. E estamos preocupadíssimos, entre um gole e outro de caipirinha, vermute, uísque, pois as drogas estão em cada esquina e são A causa da criminalidade (cuja expressão nem sei qual é de fato) nas cidades brasileiras e periferia (mas esta não fica nas cidades, ô gente boa?).

E como não há mais PAI, estamos perdidos e inaptos a decidir; não aprendemos a decidir por nós mesmos. Por favor, vamos chamar o DECEDIDOR, seja ele quem for, de preferência a figurinha austera do papai salvador das mazelas usuais. O “papai-sabe-tudo”(http://pt.wikipedia.org/wiki/Father_Knows_Best)? Mas este não dá não; ele sabe (suspiro!) Queremos o papai-faz-tudo!…

Tomara que saiba ele o que faz, por que em casa não aprendemos e na rua, nela nem fomos, vimos tudo por uma janela chamada telinha de um aparelhão cada vez mais fino que mora na sala em lugar de destaque, à cabeceira. Mas a conta é nossa. E dele sai a mística fala que todos ouvem e seguem, sem questionar.

Aliás, o que é isso, hein? Questionar… Não questionamos por nós, só repetimos falas desse além, o que vem da tela, sem refletir. O pai já era, e nós politicamente analfabetos vamos nos recusar a uma educação (Política) que emancipe a nós e aos demais ou vamos permanecer na sofisticada ignorância que aniquila geral?

Eis a questão. E quem já aprendeu, e se ainda por cima ensina, sabe que quem não questiona não aprende. É preciso fazer questão! Isto tudo aí em cima foi apenas uma reflexão de 15 de março de 2015 – um domingão.


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Evandro Limongi Marques de Abreu é Mestre em Direito Econômico e Social. Professor de diversas disciplinas relacionadas ao campo processual penal do Curso de Direito da Faculdade Dom Bosco, campus Marumby, em Curitiba-PR.

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