“Texto muito grande. Vou esperar sair o filme.” – Por Emmanuel Pedro...

“Texto muito grande. Vou esperar sair o filme.” – Por Emmanuel Pedro Soares Pacheco

Por Emmanuel Pedro Soares Pacheco – 04/01/2017

Caro leitor, quem nunca deixou ecoar dentro de sua consciência, a moderna frase: “vou esperar sair o filme”, quando pegou um livro – de preferencia com uma boa capa – grande e volumosa. Risos, confesso. Eu também. E é exatamente sobre a frase que chamo atenção para a reflexão.

É notório que cada dia que passa, lemos cada vez menos. O livro de 30 páginas torna-se uma longa metragem comparada ao tempo que está longe do celular. E por falar nele – o celular – é um dos grandes vilões e atribuído por muitos como a ferramenta facilitadora do mundo moderno que afasta(ou) as pessoas dos bons e velhos livros, por hora empeirados.

A reflexão sobre o título do texto, fez-se atual quando em um grupo de whatsapp, um estudante de direito, ao propor uma discussão, rapidamente se absteve da mesma, quando um colega o respondeu com um “textão”, sim, aquele de muitas caracteres que eu e você – confesse – temos preguiça de ler. Até então, não entendi a reflexão, entoa o leitor em bom som.

No mesmo instante, ao me deparar com a situação fática, sentado como estava, apoiei os cotovelos no joelho, com as mãos segurei o queixo, que estava boquiaberto, e então entendi a postura das estatuas que representavam os grandes pensadores filósofos gregos. Imagem que de imediato vem na cabeça de todos. Risos. A reflexão começará, sobretudo para os estudantes das ciências jurídicas.

Ora, pois. Se você está pretendendo cursar, ou já cursa a faculdade de direito, irá se deparar com livros imensos, com parágrafos intermináveis, com palavras complicadas e autores que são apaixonados pela própria voz. Sim, vez por outra, é vaidade. A linguagem nesse “mundo” é utilizada como instrumento de força e de poder. Dominador.

Independente da vaidade ou dos recursos linguísticos dispensáveis, a leitura mínima é muito volumosa. As ciências sociais representam construções milenares de pensamentos e pensadores que não concluíram o que concluirão sem escrever muitas e muitas páginas importantes para a compreensão atual. O mais simples dos institutos que (você) possa imaginar, pode(rá) ser encontrado em centenas de páginas por pessoas que refletiram sobre o mesmo séculos e séculos passados.

Tentamos simplificar, sim. Mas corremos o risco de sermos insuficientes. Mesmo os melhores em capacidade de síntese, pecam pela incompletude, e sempre restará algo que deveria ser sabido.

As criticas aos livros esquematizados e os resumões jurídicos vão ao infinito. Mas a certeza é única. Não há que se pensar nas ciências sociais, sobretudo no direito, sem que haja muita leitura, muito conhecimento do que já se passou para que possa entender o que está acontecendo.

Mas ainda não entendi a frase do título, risos. As ciências jurídicas, o direito, não permite a aplicação dessa frase. É que no direito, é preciso ler, ler e ler. Não dá “pra esperar sair o filme”, a leitura é pra já. Como diria um bom e velho amigo – professor – “é preciso ter uma doutrina para chamar de sua”. Você não verá em breve nos cinemas a leitura que te espera nas páginas jurídicas.


Emmanuel Pedro Soares Pacheco.
Emmanuel Pedro Soares Pacheco é Bacharelando em Direito pelo Centro Universitário Estácio – Juiz de Fora/MG. Monitor de Direito Civil – Parte geral. Apaixonado pela academia e a sala de aula.
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