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Augusto Jobim do Amaral

Por Redação – 21/07/2017

A dica de hoje é o livro Cultura da punição: a ostentação do horror, já em sua 3ª edição, dos autores Alexandre Morais da Rosa e Augusto Jobim do Amaral.

“Em tempos sombrios de naturalização da violência, sobretudo dos dispositivos de punição, em que o embrutecimento do pensamento toma protagonismo, orientado por uma “nova razão do mundo” (Dardot/Laval) ditada pelos auspícios neoliberais, a urgência radical de certa inteligência que enfrente a burrice do fanatismo mobilizado pelos fascismos como modo de vida atrofiado pelo medo se impõe.Um vazio reflexivo ganha eco, matraqueado pelo senso comum que, em matéria penal, concretamente, não apenas franquia a morte em escala industrial operada pelo sistema penal, mas forja uma expansiva e permanente tecnologia de governo hábil à eliminação da diferença. Refletir, urgentemente e de modo comprometido, é mais que mero engajamento, trata-se de questão de sobre-vivência.”


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Alexandre Morais da Rosa e Augusto Jobim do Amaral publicaram, pela Editora Empório do Direito, a terceira edição do livro Cultura da Punição: A Ostentação do Horror – 3ª Edição – Revisada e Ampliada.

Confira a descrição da obra:

“Em tempos sombrios de naturalização da violência, sobretudo dos dispositivos de punição, em que o embrutecimento do pensamento toma protagonismo, orientado por uma “nova razão do mundo” (Dardot/Laval) ditada pelos auspícios neoliberais, a urgência radical de certa inteligência que enfrente a burrice do fanatismo mobilizado pelos fascismos como modo de vida atrofiado pelo medo se impõe.Um vazio reflexivo ganha eco, matraqueado pelo senso comum que, em matéria penal, concretamente, não apenas franquia a morte em escala industrial operada pelo sistema penal, mas forja uma expansiva e permanente tecnologia de governo hábil à eliminação da diferença. Refletir, urgentemente e de modo comprometido, é mais que mero engajamento, trata-se de questão de sobre-vivência.”

 


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Por Redação – 15/02/2017

Alexandre Morais da Rosa e Augusto Jobim do Amaral publicaram a segunda edição do livro Cultura da Punição: A Ostentação do Horror – 2ª Edição – Revisada & Ampliada pela Editora Empório do Direito.

Confira a descrição da obra:

A segunda edição do “Cultura da Punição: a ostentação do horror” nos envaidece e, sobretudo, propõe novos desafios. As interfaces construídas, para além de se prestarem ao permanente diálogo, não apenas entre nós na medida em que nos faz outros a nós mesmos, pôs-nos diante dos próprios (des)encontros e diferenças de abordagens, inspiração decisiva na direção inaudível da consolidação de traços comuns em matéria da inesgotável, incansável e resistente luta de crítica ao poder punitivo – diante da intrínseca naturalização da violência. Se o gesto genuíno da escrita não encontra seu sentido nem propriamente no texto nem no seu definido autor, mas guarda a temporalidade singular do movimento poético do leitor quando este entra em cena, qualquer qualidade ímpar da obra apenas se dará tendo em conta e contando com tal condição radicalmente plural. A escrita do livro, diz-se, desde logo, é um convite aberto.

Assim, de maneira singela, adiante das construções empenhadas na versão original, podemos dizer que o texto atualiza e evoca novos ares, inclusive aduzindo revisões necessárias e ampliações agudas. Em especial, na primeira parte, agrega a indagação acerca da soberania política que ampara o poder punitivo, dali percebendo-se a obscenidade do “Mal de Polícia”. Noutro aspecto, o segundo apanhado aprofunda as dimensões da ilusão que estrutura a crença sob o sistema penal como maquinaria hábil a funcionar cinicamente muito bem, de acordo com a finalidade ditada por sua economia punitiva, fixadora da sua perene linha de seletividade, estigmatização e repressão.


Leia também a entrevista com Augusto Jobim do Amaral sobre a obra.


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Augusto Jobim do Amaral é presença confirmada! 

Augusto Jobim do Amaral é um dos palestrantes do II Congresso Sul Brasileiro de Direito, que ocorrerá nos dias 06, 07 e 08 de outubro de 2016, no Campus da Univali de Balneário Camboriú. A proposta é fazer um evento diversificado, contemplando várias áreas do Direito: Constitucional, Penal e Processo Penal, Direito do Trabalho, Direito Civil e Processual Civil, Criminologia, Administrativo e Direito Público, entre outros.

Augusto Jobim do Amaral.
Doutor em Altos Estudos Contemporâneos (Ciência Política, História das Ideias e Estudos Internacionais Comparativos) pela Universidade de Coimbra (Portugal); Doutor, Mestre e Especialista em Ciências Criminais pela PUCRS; Professor da Faculdade de Direito da PUCRS.
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As inscrições para o evento já estão abertas e podem ser feitas aqui.

Confira os valores:

A partir de 31/08/2016

Estudantes R$180,00

Outros R$300,00

Augusto, fale sobre como escolheu o Direito e quais os planos para o futuro da sua carreira.

Essas questões são meio difíceis de serem respondidas, pois não trazem, sabemos, apenas escolhas deliberadamente conscientes, mas diria que a aproximação com o direito se deu pode-se dizer mais como um efeito da minha relação com as humanidades desde sempre. Alguma sensibilidade para a cultura e a política sempre tiveram espaço privilegiado na minha vida em geral. Talvez pela amplitude das inquietações, das questões que sempre me pus e da própria postura diante dos desafios urgentes que nos acometem nas relações humanas, o direito acabou por oferecer um canal amplo e privilegiado para vivenciá-las. Assim, a graduação em direito jamais foi senão um “pretexto” para que o contato estreito com problemas comuns de áreas afins continuassem a me tocar, como da filosofia, da história, da sociologia, da psicanálise, da ciência política etc., ou seja, para que um olhar transdisciplinar pudesse ter espaço. Foi assim na própria graduação com a intensa pesquisa já na área das ciências criminais, nas especializações, no mestrado e nos doutorados em Ciências Criminais e em História e Teoria das ideias. Sempre são complicados os prognósticos para o futuro, que o acontecimento pese mais que o projeto sempre foi algo importante para mim, quer dizer, planos mínimos sim, mas que o inusitado e o incalculável nunca deixe de nos surpreender. Objetivamente, sou docente por vocação há mais de 13 anos e há 4 atuo como professor da PUCRS, onde devo grande parte da minha formação. Especial sentimento este ano por poder iniciar a lecionar como Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais (Mestrado/Doutorado), junto daqueles que foram meus mestres num passado próximo e de amigos que tive a sorte de cruzar o caminho. Naturalmente minha força e ânsia para iniciar esta nova etapa são enormes.

Qual a proposta do livro “Cultura da Punição: A Ostentação do Horror – 2ª Edição – Revisada & Ampliada”, publicado recentemente pela Editora Empório do Direito?

A proposta é muito direta, ainda que por caminhos bem diversos: apontar e enfrentar fortemente a naturalização da violência quando o assunto é o poder punitivo. Depois de termos dito a sorte de esgotar rapidamente a 1ª edição, procuramos aprofundar ainda mais as discussões que permeiam as formações punitivas na nossa contemporaneidade, em especial como se desenvolvem os fascismos societais via poderes de Estado. A resistência crítica à violência do poder punitivo, entendo, passa sem dúvida pelo convite à reflexão urgente diante da tragédia cotidiana da exceção tornada regra. Tal ferramenta do pensamento, ao não assumir tal condição como fatalidade, deve ter a responsabilidade aguda sobre cada momento de decisão perante o horror da morte das rotinas penais banalizadas.

Como surgiu a parceria com Alexandre Morais da Rosa e quais motivações para escrever sobre este tema?

A amizade com o Alexandre não lembro quando iniciou, talvez derivada de vários encontros com amigos em comum e principalmente por notá-lo também companheiro das mesmas leituras e problemas. Daí o carinho e a profunda consideração mútua já ultrapassam qualquer justificação. Referência desde sempre de um pensamento crítico foi uma honra poder escrever ao seu lado. As razões para a escrita da obra, ademais do dito acima, passa pela necessidade de afirmar permanentemente a desconstrução de uma estado de normalidade que faz com que suportemos a injustificável condição abominável da nossa tanato-cultura punitiva. No pensamento jurídico a necessidade torna-se ainda mais candente. Em que pese a dedicada tradição brasileira crítica na área, o coro precisa ser engrossado, e muito.

Conte como foi o processo de pesquisa para escrever a obra.

Da minha parte, contando com a paciência do Alexandre em suportar meu estilo, encaminhei o trabalho desde um braço da primeira tese de doutorado que escrevi em Portugal. A problemática da biopolítica, dos contornos e performances punitivas, bem como em geral os dispositivos autoritários sempre me fizeram questão. Na segunda edição especificamente, além da revisão e ampliação minuciosa, tentei contribuir com um ensaio sobre a “polícia” e sua relação com o poder soberano. Este sentido filosófico de uma zona de indistinção entre violência e direito sobre a qual paira a polícia, inclusive como paradigma de governo, penso ainda seja pouco explorado, não obstante tenha tentado avançar um pouco no texto.

Quais as principais conclusões adquiridas com a obra?

Tenho alguma prudência com categorizações conclusivas em matéria de cultura da punição. Não que elas não existam e que não as tenhamos trazido em abundância. Estão ali ditas. Sugerimos, porém, na obra mais enfaticamente indagações, inquietações e a mais profunda abertura ao diálogo. As ditas conclusões certamente saberão retirar os leitores quando entrarem em cena. Em tempos tão rarefeitos para o encontro com a alteridade e tão afeitos às respostas prontas e acabadas, a partir dos seus fascismos e de seus blocos unívocos de sentido, testemunhar um “não” peremptório a torrente punitiva ostensivamente posta parece ser de grande validade.

Fale sobre os planos para futuras publicações.

O ano de 2016 traz expectativas muito boas. De forma ampla, além de viabilizar a 2ª edição do “Política da Prova e Cultura Punitiva” (Almedina, 2014), estamos em vias de concluir, junto com o amigo Ricardo Jacobsen Gloeckner, sob o respaldo da RT (Revista dos Tribunais), um “Manual” de Criminologia. Além disso, ainda para este ano o selo da ARA Editores (Peru) publicará um outro livro em parceria com o Ricardo sobre a temática que temos perseguido no PPGCCrim da PUCRS chamado “Pensamento político-criminológico”. Sobre a organização de obras, guardarei por enquanto ainda alguma surpresa, mas que será apresentada no momento oportuno aos leitores do Empório do Direito, a respeito de uma coleção de “Criminologia” pela EDIPUCRS com a edição e reedição de obras clássicas do nosso campo de saber. Fica o convite para que nos acompanhem.


Conheça mais detalhes da obra e adquira o seu exemplar aqui.

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Por Redação -16/08/2016

Estão abertas as inscrições para a 2.ª edição do Curso Pensamento Político-Criminológico: Interfaces entre Violência e Cinema, que ocorrerá  no período de 06 de setembro a 29 de novembro de 2016,  no Prédio 11 (FADIR), Sala 1035, PUCRS.

O curso busca aprofundar o conhecimento das relações entre criminologia, filosofia política e direitos humanos através da plataforma cinematográfica, propiciando uma compreensão global e transdisciplinar do fenômeno do poder punitivo.

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Para mais informações  clique aqui

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Confira a Programação

“O MENSAGEIRO” (CUESTA, Michael; Estados Unidos, 2014, 112 min)

Drogas e (anti)proibicionismo

Legalização das drogas

Políticas de redução de danos

“NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR” (LUND, Kátia; SALLES, João Moreira; Brasil, 1999, 57 min)

Polícia e militarização no brasil
Políticas públicas de segurança
Modelos de urbanismo militar

“BAGATELA” (RAMOS, Clara; Brasil, 2010, 52 min)
Sistema carcerário brasileiro
Poder punitivo: repressão, estigmatização, seletividade
Hipercarcerização e (falsas) alternativas

“BEM PERTO DE BUENOS AIRES” (NAISHTAT, Benjamin. Historia del Miedo, Argentina/FRança, 2014, 79min
Medo e securitarismos
Vigilância e controle
Segregação social e a lógica do condomínio

“LARANJA MECÂNICA” (KUBRICK, Stanley. A Clockwork Orange, Reino Unido, 1971, 136 min)
Disciplinarismos
Neopositivismos
Poder psiquiátrico-criminal

“BATALHA DE ARGEL” (PONTECORVO, Gillo. La Battaglia di Algeri. Itália-Argélia, 1966, 121 min)
Justiça e Direito: indissociabilidade e heterogeneidade
Violências (mítica, divina e destituinte)

 

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Por Redação – 01/08/2016

O Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS está com editais disponíveis para seleção de ingresso no Mestrado e no Doutorado para o ano de 2017. O edital de seleção para o mestrado pode ser conferido através do site e contém como bibliografia para realização da prova de seleção o livro publicado pela Editora Empório do Direito de autoria do Dr. Augusto Jobim do Amaral e do Dr. Alexandre Morais da Rosa “Cultura da Punição: a ostentação do horror”.

Ainda, o edital para ingresso no doutorado pode ser conferido aqui.

O período de inscrição vai de 15/08/2016 a 28/10/2016.

Por Augusto Jobim do Amaral e Fernanda Martins – 25/06/2016

“I wish I knew how
It would feel to be free
I wish I could break
All the chains holding me
I wish I could say
All the things that I should say”
I Knew How It Would Feel To Be Free – Nina Simone

As premissas estabelecidas entre-nós não poderiam se dar senão sob a cumplicidade de uma escrita que atravessa a singularidade dos nossos olhares e do propósito de se entregar reciprocamente ao outro, na partilha das angústias que tocam o diálogo acerca do poder punitivo. Sobretudo sobre a violência que se opera a partir e através da máquina punitiva, o dizer daquilo que escrevemos e pensamos em conjunto, antes de se preocupar em falar sobre a mesma coisa em coro, espera refletir a experiência dissonante de pensar uma diferença. Não encerrar a desmedida das agruras do poder punitivo ou, de qualquer forma, chancelá-las pela inofensibilização da alteridade.

Sendo assim, devem-se abrir sulcos no maciço dominante do conjunto do sistema penal. A esta economia que utiliza a aniquilação do outro ban(d)ido como combustível, opomos traços de momentos de vida e morte que se colocam tanto como memória inapreensível de um sofrimento surdo quanto inspiração ar-riscada de novos modos de viver a urgência de um pensamento sem medos. Este é o ritmo, a toada daquilo que se pode esperar nestes encontros plurais. Dois como conjunto, uno em singularidades, sempre premidos pelo aqui e agora das catástrofes que se acumulam sob a égide da violência punitiva. Ler nas entrelinhas as tragédias naturalizadas e su-portar o peso da responsabilidade ético-política é, antes de tudo, auscultar as estratégias capitais em seu mais rigoroso sentido.

Escrever em conjunto é se perder pelo que o outro me toca, a linguagem do outro em sentido radical. Quando em 1997, Derrida encontra e entrevista o músico de jazz Ornette Coleman, e em certo instante conversam sobre o improviso na performance musical, ressalta Coleman que aí está o mais importante: quando toca, segunda ele, a realização de jazz passa longe de qualquer domínio e liderança, é o lugar em que o improviso acaba permitindo à repetição a criação do novo, instante como que de remontagem de um quebra-cabeça que torna possível o ainda inaudito através de uma trans-crição. Assim, não se trata de criar algo por mim e/ou para mim, mas sim compreender que duas pessoas podem ter uma conversa, com sons ou palavras marcadas no papel, sem tentar dominar ou conduzir o outro. Musicar em conjunto, diríamos – e a escrita soa assim para nós – passa por deixar, na improvisação da repetição, ou seja, na relação que se instaura desde sempre entre “mais de um”, entrever o novo por-vir.

Propomos, de forma mais específica, ao longo deste espaço múltiplo na origem, a fabricação de feixes, intersecções de tensores e extensores, construídos pela tentativa de questionar a opressão provinda e acalentada pelo poder punitivo. “Colocar os ladrilhos do avesso” como disse Derrida um dia ao responder àquele que o perguntara o que era a “desconstrução”. Portanto, provocar o diálogo pela perturbação da ordem punitiva fixada historicamente por uma lógica falocêntrica tão bem ajustada que, em matéria de sistema penal, é capaz de objetificar e despojar os impulsos mais genuinamente críticos de suas frutíferas desagregações. Provocar à crítica, por exemplo, sobre violência de gênero, num cotidiano marcado pela dominação, desigualdade e opressão, com suas justas demandas de vulnerabilidade, e ainda seus desdobramentos terrivelmente gestados pela codificação punitiva (pois alavancadas pelo acólito desta torrente da morte chamada sistema penal) certamente passa por aqui.

Coloquemos, então, uma aparente singela questão com a ajuda de uma figura ímpar. A cena é inspirada em Nina Simone, especialmente no documentário indicado ao Oscar deste ano “What happened, Miss Simone?”. Em que pese o documentário apresentar em certos momentos um discurso controverso sobre a cantora até certo ponto complacente com discursos machistas (é só se observar a condução das falas da própria filha da artista e da maioria dos que a rodeavam para ver o nefasto juízo de reprovação quanto à ausência de Nina e desídia quanto aos seus “deveres maternos”), a entrevista inicial que se apresenta introduz a condição singular dessa mulher. A partir de uma fala despretensiosa, há a demonstração da potência disruptiva de uma artista que conquistou um espaço predominantemente masculino do jazz norte americano. Crucial, assim, aos interesses que nos assola, diante do inventário de questões retiradas dos debates sobre os feminismos e criminologia – a rigor, estamos às voltas da indizível questão do sofrimento humano – a interrogação feita a Nina: “O que é ser livre para você?” (What`s free to you?).

Nascida Eunice Kathleen Waymon em 1933 nos E.U.A., Nina teve formação musical para ser pianista clássica. No entanto, com a recusa do seu pedido de ingresso no Instituto de Música Curtis na Filadélfia, a artista transforma-se em Nina Simone para tocar em bares noturnos sem o conhecimento de seus pais. Como negra que transita pelos circuitos dominados por homens, a pergunta posta já bem conduz ao infinito diálogo sobre a ideia de liberdade. Sua resposta é arrebatadora e vai diretamente ao cerne daquilo que interessa. “Ser livre”, diz ela “é só um sentimento. É como explicar a alguém como é estar apaixonado. Como você vai explicar para alguém que nunca se apaixonou como é amar? Você não pode fazer nem para salvar sua própria vida! (…) Liberdade é para mim: não ter medo. Não ter medo, mesmo! Nina, ao dizer do desafio perene de viver sem medo encaminha aquilo que há de mais importante na não-resolução do problema de liberdade em meras dimensões formais:  a subjetividade ética que deve lhe lastrear.

Se quisermos fazer valer a pena, de fato, o problema da liberdade como sugerido na fala de Nina, defendê-la para além de simples identidades subjetivas, de mônadas dotadas de vontades individuais e de meras faculdades de agir postas contratual e ardilosamente sob fronteiras claras – liberdade(s) que terminam onde começa(m) a(s) do outro – nada, absolutamente nada se movimenta para fora da falácia. Enfim, deixar de ver a liberdade desta forma e transformá-la, como diz Ricardo Timm de Souza, na “condição vital da sobrevivência supraindividual dos múltiplos”, ou seja, consubstanciada em atos éticos que amparem em si mesmos a própria razão de ser da liberdade. Daí sim sua concretização para além da mera ideia: responsabilidade anterior à liberdade. Suscetibilidades que agora nos permitem falar numa liberdade ética transmutada sob a forma de responsabilidade pelo Outro.

Escapar da patologia da totalidade carregada pelas lógicas da liberdade imunes com relação ao outro pressupõe encarar que todo o medo é medo do outro. A convocação posta com firmeza por Nina é imperativa: liberdade é não ter medo. Medo este que é sempre do outro, outro sem o qual apenas a indiferença e a lógica do preconceito de todas as ordens (racial e de gênero em especial) poderão reinar. Todavia, não nos iludamos. E o alerta já foi dado pelo poeta moçambicano: “há quem tenha medo que o medo acabe”.

Talvez hoje, mais do que nunca, no mais arriscado desejo, a liberdade de não ter medo ressignifique olhares através das vidas que nos tocam. Resistindo em conjunto pelas lutas sempre presentes, unidos reconhecendo a potência revolucionária que há no amor, permitimo-nos encarar radicalmente que não estamos imunes ao medo, e nem assim queremos ser, mas que nos desdobramentos dos fatos, sua presença talvez seja força motriz das oportunidades de viver uma vida crítica e solidária para além da violência, ainda mais possível pelo ressoar dos novos tons da junção do querer viver para além do medo na responsabilidade que há entre-nós.


Sem título-23

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Augusto Jobim do Amaral é Doutor em Altos Estudos Contemporâneos (Ciência Política, História das Ideias e Estudos Internacionais Comparativos) pela Universidade de Coimbra (Portugal); Doutor, Mestre e Especialista em Ciências Criminais pela PUCRS; Professor da Faculdade de Direito da PUCRS.

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Fernanda Martins.
Fernanda Martins é Mestre em Teoria, Filosofia e História do Direito pelo Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina. Professora substituta na Universidade Federal de Santa Catarina e professora na Universidade do Vale do Itajaí.
E-mail: fernanda.ma@gmail.com


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Imagem Ilustrativa do Post: Nina Simone // Foto de: Tom Woodward // Sem alterações

Disponível em: https://www.flickr.com/photos/bionicteaching/15552968635/

Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode


O texto é de responsabilidade exclusiva do autor, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Empório do Direito.


 

Por Redação – 28/04/2016

A PUC-RS e o prof. Dr. Augusto Jobim do Amaral convidam para a 2a edição do Curso de Extensão “Pensamento Político-Criminológico: Interfaces entre Violência e Cinema”. As inscrições já estão abertas e encerram no dia 09 de maio, podendo ser realizadas através do site www.pucrs.br/educacaocontinuada. As aulas terão início em 10 de maio e as informações completas podem ser conferidas abaixo:

Pensamento Político-Criminológico: Interfaces entre Violência e Cinema 

Ministrado pelo Prof. Dr. AUGUSTO JOBIM DO AMARAL

INSCRIÇÕES

Até 09 de maio de 2016

DURAÇÃO DO CURSO

De 10 de maio a 05 de julho de 2016

PROGRAMAÇÃO

“O MENSAGEIRO” (CUESTA, Michael; Estados Unidos, 2014, 112 min)

  • Drogas e (anti)proibicionismo
  • Legalização das drogas
  • Políticas de redução de danos

“NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR” (LUND, Kátia; SALLES, João Moreira; Brasil, 1999, 57 min)

  • Polícia e militarização no brasil
  • Políticas públicas de segurança
  • Modelos de urbanismo militar

“BAGATELA” (RAMOS, Clara; Brasil, 2010, 52 min)

  • Sistema carcerário brasileiro
  • Poder punitivo: repressão, estigmatização, seletividade
  • Hipercarcerização e (falsas) alternativas

“BEM PERTO DE BUENOS AIRES” (NAISHTAT, Benjamin. Historia del Miedo, Argentina/FRança, 2014, 79min)

  • Medo e securitarismos
  • Vigilância e controle
  • Segregação social e a lógica do condomínio

“LARANJA MECÂNICA” (KUBRICK, Stanley. A Clockwork Orange, Reino Unido, 1971, 136 min)

  • Disciplinarismos
  • Neopositivismos
  • Poder psiquiátrico-criminal

“BATALHA DE ARGEL” (PONTECORVO, Gillo. La Battaglia di Algeri. Itália-Argélia, 1966, 121 min)

  • Justiça e Direito: indissociabilidade e heterogeneidade
  • Violências (mítica, divina e destituinte)
  • Direitos Humanos e Democracia por vir

” O PROCESSO” (JONES, David Hugh. The Trial. Reino Unido, 1993, 106 min)

  • As governabilidades inquisitivas das máquinas processuais penais
  • Patologia da Linguagem: o dizer e o dito
  • Justiça e Parábola da Lei

“A ONDA” (GANSEL, Dennis. Die Welle. Alemanha, 2008, 107min)

  • Fascismos políticos: burrice, cinismo e os discursos canalhas
  • Medo, preconceito e a diferença assassinada
  • O fomento social da ignorância: a cultura autoritária

“TRABALHO INTERNO” (FERGUSON, Charles. Inside Job. Estados Unidos, 2010, 108 min)

  • Capitalismo como religião
  • Ideologia, a economia despolitizada e o fetiche do mercado
  • A violência naturalizada no sistema político-econômico contemporâneo

COORDENAÇÃO E MINISTRANTE

  • Prof. Dr. Augusto Jobim do Amaral

 

OBJETIVO

Aprofundar o conhecimento das relações entre Criminologia, Filosofia Política e Direitos Humanos, de forma a permitir uma maior integração crítica, através da plataforma cinematográfica, entre estes ramos, propiciando uma compreensão global e transdisciplinar do fenômeno do poder punitivo.

 

PÚBLICO-ALVO

Estudantes e Profissionais do Direito e áreas afins, bem como interessados em geral numa visão crítica e transdisciplinar da questão criminal.

 

 

HORÁRIO DAS AULAS

Terças-feiras
DIA 10/05: das 18h às 22h45
DIA 17/05: das 18h45 às 22h45
DIA 24/05: das 18h45 às 22h45
DIA 31/05: das 18h45 às 22h45
DIA 07/06: das 18h às 22h45
DIA 14/06: das 18h às 22h45
DIA 21/06: das 18h45 às 22h45
DIA 28/06: das 18h às 22h45
DIA 05/07: das 18h às 22h45

 

 

LOCAL

Prédio 11 (FADIR), Sala 1035 – exceto no dia 14/06/2016 que será na sala 1036.

 

 

INVESTIMENTO

Público Geral: R$ 500,00
Para mais informações sobre formas de pagamento e vallores diferenciados, consulte o site www.pucrs.br/educacaocontinuada

 

Por Redação – 23/04/2016

O Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUC/RS – GT Democracia convida para o ciclo de encontros do “Painel Emergência Democrática”.

O  segundo evento, cujo tema será “Memória e Futuro da Democracia Brasileira”,  realizar-se-á no dia 27 de abril no Prédio do 5 – Auditório Térreo da PUC/RS em Porto Alegre/RS, das 17h30 às 19h, com os debatedores Augusto Jobim do Amaral (PPGCrim PUC/RS) e Bruno Lima Rocha (Relações Internacionais/UNISINOS). O ciclo de eventos, o qual ocorrerá todas as últimas quartas-feiras do mês, visa discutir o cenário atual da realidade política brasileira a partir de diálogos atuais sobre a emergência democrática.