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Série Tecnologia e trabalho IV – Knowmads: o trabalho no futuro tecnológico – Por S. Tavares-Pereira

Por S. Tavares-Pereira – 27/05/2017

Séries

Neste 2017, as publicações estão classificadas em séries. Veja, no pé deste post, as publicações anteriores. Hoje se dá sequência a série: Tecnologia e trabalho.


Série Tecnologia e trabalho IV

Knowmads: o trabalho no futuro tecnológico

A crise de emprego, espalhada pelo mundo, é a ponta de iceberg de um problema imenso que se avizinha a passos largos, numa velocidade bem característica de nosso tempo.

Os knowmads são os trabalhadores do conhecimento. Eles trabalharão de qualquer lugar, o tempo todo e com praticamente todo mundo.

O valor desses trabalhadores não virá de seu conhecimento, de sua dedicação extremada, da jornada de trabalho e do fato de estarem à disposição dos empregadores. Esses trabalhadores estarão habilitados para, num contexto de rede, criarem novos valores.

Pelo que disse acima, pode-se imaginar a mudança drástica que haverá, nas sociedades industriais, em relação ao trabalho, seus conceitos e características. Isso ocorrerá em todas as áreas e, muito mais intensamente, nas áreas onde o manejo da informação é crucial. Os trabalhadores serão exigidos intensamente em habilidades e conhecimentos novos e desafiadores.

As tarefas repetitivas serão entregues, cada vez mais, a agentes automatizados (software), robôs e outras tecnologias. Nessas áreas, os empregos com cartão de horário, intervalos disso e daquilo, chefes e ordens e riscos de danos morais serão expurgados. Restarão postos de trabalho para os empregados que possam acrescentar habilidades, conhecimentos e criatividade às empresas.

Muitos advogados serão levados a procurar outras carreiras. Sistemas especialistas ocuparão espaços até agora ocupados por humanos advogados. São sistemas que interagirão diretamente com outros sistemas do mundo virtual ligados à área judicial, por exemplo, ou administrativa. Onde só humanos eram capazes de impulsionar procedimentos, sistemas ocupar-se-ão de dar andamento às atividades.

Os taxistas vão enfrentar a concorrência desleal de carros que andam sozinhos. Como os helicópteros, que perderam mercado para os drones, na obtenção de imagens, outras atividades perceberão, incrédulas, a atuação desses robozinhos voadores que vão abater até os motoboys. Entregar pizza, livros, documentos e outras utilidades estão na mira dos drones.

Diante da ascensão da inteligência artificial e da robótica, os knowmads tornar-se-ão os humanos valiosos e indispensáveis. Numa empresa ou, então, colocando suas habilidades/conhecimento/criatividade a serviço de muitas empresas, eles estão fora do alcance das transformações do mercado de trabalho induzidas pelas novas ferramentas tecnológicas.

Conforme John Moravec, em poucos anos, quase metade da força de trabalho estará nessa categoria de nômades do conhecimento, compondo o maior segmento da força de trabalho do mundo. Eles serão profissionais independentes, empresários e empregados. A busca desse perfil é a que dá maior garantia para o futuro.

Essa transição será difícil, para a sociedade e para os indivíduos. Aceitar o desafio e tentar integrar-se ao novo perfil é o caminho inafastável. Preparar-se é a palavra de ordem. Nem a sociedade, nem os movimentos sociais, nem a lei, nem a constituição conterão as transformações e a evolução para esse novo patamar do mundo do trabalho.

A tecnologia transforma tudo onde chega. No século XVIII, os luddistas (de Ludd, nome de um lutador da época) destruíram as primeiras máquinas utilizadas na construção de estradas. E foram vencidos.

A tecnologia está colocando, agora, desafios como nunca colocou antes. Tudo tem de ser repensado, seja pela sociedade global, seja pelos indivíduos.

Tornar-se um knowmadic é um jeito de defender-se frente às transformações.


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Série Tecnologia e trabalho:
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S. Tavares-PereiraS. Tavares-Pereira é mestre em Ciência Jurídica (Univali/SC) e aluno dos cursos de doutoramento da UBA. É especialista em Direito Processual Civil Contemporâneo pela PUC/RS, juiz do trabalho aposentado do TRT12 e, antes da magistratura, foi analista de sistemas/programador. Advogado. Foi professor de direito constitucional, do trabalho e processual do trabalho, em nível de graduação e pós-graduação, e de lógica de programação, linguagem de programação e banco de dados em nível de graduação. Teoriza o processo eletrônico à luz da Teoria dos Sistemas Sociais (Niklas Luhmann). 


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