Nós, um Estado e o Ghandi – Por Phillip Gil França

Nós, um Estado e o Ghandi – Por Phillip Gil França

Por Phillip Gil França – 23/02/2017

– Qual é o tamanho do seu problema?

Essa questão, normalmente, não interessa tanto aos outros como importa a você, não é mesmo?

Então, esse é o tamanho do problema.

Não se interessar sobre o tamanho do problema alheio e como tal problema atinge os outros gera um problema para você.

Esse problema gerado por ignorar o problema alheio e qual a consequência de tal fato no seu mundo chama-se ´insegurança´.

Insegurança advém, de forma geral, quando alguém deveria fazer algo que outros esperam que esse alguém faça, mas, não faz, e, assim, a expectativa que novas ações que deveriam ser feitas aconteçam passam a diminuir.

Quanto menor a expectativa de acontecimento de algo que se espera acontecer, maior é a energia empreendida para que tal ação ocorra.

Se maior é a energia empreendida em algo, maior é o custo dessa ação esperada.

Quanto maior é o custo de algo, menor é a probabilidade de ocorrência de tal ação.

E, assim, de forma cíclica a ´insegurança´ vai desencadeando diversas ações que atrapalham a ocorrência das ações que deveriam ser feitas.

Desse modo, há uma substituição de ações por frustrações.

Frustrações geram incertezas e descrenças entre aqueles que deveriam realizar ações e daqueles eventuais beneficiários de tais ações.

Logo, qual é o tamanho do seu problema?

Quando a ´insegurança´ advém, então, daqueles representantes estatais que deveriam chancelar ou controlar atos públicos ou privados em qualquer esfera das Funções do Estado ou do seu controle, estamos diante da tal ´insegurança jurídica´.

´Insegurança jurídica´ advém do encadeamento de ações estatais frustradas que, por tal razão, geram novas e novas frustrações sobre o desenvolvimento intersubjetivo que está sob a responsabilidade do Estado.

Sofremos quando o Estado é instável.

Sofremos quando o Estado não cumpre o que promete.

Sofremos quando o Estado não traz respostas aos nossos problemas.

Por que sofremos tanto?

Porque, de forma geral, achamos que o problema do outro, ou o problema que causamos ao outro, não é problema nosso.

Isso, meus amigos, gera uma enorme angústia, qual seja: passamos a ser (‘nós’) o problema.

Nós somos o problema quando não agimos pela nossa paz e pela paz alheia.

Nós somos o problema quando não tornamos o ambiente de paz o instrumento para a promoção de nossa evolução como seres humanos e sociais.

Nós somos o problema quando não lutamos pelo outro, apenas por nós, como se não fossemos o outro de algum ‘eu’ que precisa de ‘nós’.

E nesse sentir, vale lembrar uma das lições de Ghandi:

“Peço-lhes que adotem a não-violência como uma estratégia. Saibam que para mim é um credo, mas vocês podem considerá-la uma ferramenta. Aceitam-na por completo, como se fossem soldados, e utilizem-na no momento de entrar em combate.”

Vamos melhorar e combater os problemas de frente…’por nós’!!


PhililipPhillip Gil França é Pós-doutor (CAPES_PNPD), Doutor e Mestre em direito do Estado pela PUC/RS, com pesquisas em “Doutorado sanduíche – CAPES” na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Membro do Instituto dos Advogados do Paraná. Professor de Direito Administrativo (mestrado e graduação) da Universidade de Passo Fundo, autor dos livros “Controle da Administração Pública”, 3 Ed. (RT, 2011) e “Ato Administrativo e Interesse Público”, 2 Ed (RT, 2014), e tradutor da obra “O Princípio da Sustentabilidade – transformando direito e governança“, de Klaus Bosselmann. Professor dos Cursos de Especialização do IDP (Brasília), Abdconst (Curitiba) e Unibrasil (Curitiba). Email: phillipfranca@hotmail.com / Facebook: Phillip Gil França


Imagem Ilustrativa do Post: Mahatma Ghandi, painted portrait _DDC4621 // Foto de: thierry ehrmann // Sem alterações

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