Uma reflexão sobre as mortes em Orlando e um Estado (interior) sem...

Uma reflexão sobre as mortes em Orlando e um Estado (interior) sem paz – Por Phillip Gil França

Por Phillip Gil França – 16/06/2016

O diferente é ameaçador,
Quando o pensamento é igual.

Devemos refletir que a história da humanidade se resume na busca da destruição do diferente.

O caminho é comum: ´dominação – humilhação – superação´.

Ora, não foi o Estado criado para equalizar essas diferenças e indicar caminhos de coexistência pacífica?

Que triste pretensão é essa de paz, quando se imagina que existir é se opor ao tal utópico ambiente pacífico?

Não encontramos paz, por exemplo, quando lutamos por desenvolvimento, quando disputamos espaços profissionais, amorosos, ou a mera atenção de quem amamos.

Lutas não trazem paz, apenas justificativas para uma próxima batalha.

Fugimos incoerentemente da óbvia conclusão de que não temos paz interior.

Então, como esperar paz exterior?

Pior, como um ente externo rotulado ´Estado´ conseguiria estabelecer essa paz?

Educação sobre a interação consigo e com o meio, visando o menor potencial de danos possível, de forma sustentável e proporcional, é algo a ser considerado como política pública local, regional e nacional.

Sinergicamente, precisamos deixar de considerar que o problema é o ´outro´, é ´ele´, é a ´cultura disso ou daquilo´, pois o problema sou ´eu´, que compõe o ´nós´.

Coexistimos em um ambiente comum, mas com objetivos inicialmente diferentes e com uma conclusão inevitável: a morte.

Morre o criador, mas não a criatura.

Morre o cidadão, cada um, mas não o povo, todos.

O Estado persiste, enquanto a paz for sustentável e proporcional.

Nesse cenário, torna-se imperativo aceitar que seremos indistintamente destruídos e que essa gana por adiar o inevitável, talvez, esteja adiantando esse fim, com tons de tristeza.

E, assim, melancolicamente, não aproveitamos o caminho (tão belo nas tolas promessas de igualdade, não concretizáveis).

Nossas flores ficam sem cor.

Aquelas certezas perdem sentido.

E os diferentes encontram-se num igual olhar para cima…vazio.

Finalmente, esperançosos, a cada novo episódio de ÓDIO ficamos com a angustiante percepção de que morremos antes daqueles que perderam a vida.

Sensação que passa…até o próximo ocorrer.


autorPhillip Gil França é Pós-doutor (CAPES_PNPD), Doutor e Mestre em direito do Estado pela PUC/RS, com pesquisas em “Doutorado sanduíche – CAPES” na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Membro do Instituto dos Advogados do Paraná. Professor de Direito Administrativo (mestrado e graduação) da Universidade de Passo Fundo, autor dos livros “Controle da Administração Pública”, 3 Ed. (RT, 2011) e “Ato Administrativo e Interesse Público”, 2 Ed (RT, 2014), e tradutor da obra “O Princípio da Sustentabilidade – transformando direito e governança“, de Klaus Bosselmann. Professor dos Cursos de Especialização do IDP (Brasília), Abdconst (Curitiba) e Unibrasil (Curitiba). Email: phillipfranca@hotmail.com / Facebook: Phillip Gil França


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