19 de maio: Dia da Defensoria Pública

21/05/2017

Por Fernanda Mambrini Rudolfo – 21/05/2017


Em 19 de maio, comemora-se o dia da Defensoria Pública. Durante a semana que passou, prédios e monumentos se iluminaram de verde, em homenagem a esta instituição que é instrumento de concretização da cidadania. Mesmo correndo o risco de ser repetitiva e apesar dos vários acontecimentos recentes que poderiam ensejar uma manifestação, preciso nesta oportunidade também expressar respeito e admiração à carreira que escolhi (e que me escolheu), a tod@s aquel@s que têm como missão defender os direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade.


Ser Defensor@ Públic@, como já disse outras vezes, é muito mais do que exercer uma profissão, é fazer uma escolha de vida. É escolher a proteção em vez do abandono, a luta pelos direitos em vez da perpetuação das desigualdades, a diferença em vez da reprodução de comportamentos. Frequentemente, significa a escolha da dor e do desgaste, em detrimento de horas de sono, de jantares com a família e de outras atividades de lazer. E não se trata só do desgaste físico, pois o fardo emocional também é deveras difícil de carregar. @ Defensor@ Públic@ tem contato com as marias variadas mazelas da sociedade, muitas das quais não são sequer conhecidas pela maior parte da população. Não é fácil.


Mas o fácil não traz tantos benefícios quanto as tarefas árduas, não havendo por que ser diferente com a Defensoria Pública. Cada conquista tem ainda mais valor diante das intempéries enfrentadas. E são muitas as conquistas. Ver uma família unida, uma liberdade restituída, uma criança finalmente matriculada no colégio, um tratamento de saúde realizado. É inenarrável a sensação de completude que advém de cada uma dessas pequenas grandes vitórias. Ser Defensor@ Públic@ significa chorar e sorrir junto com os assistidos. É fazer valer o tão falado sangue verde, lutando contra tod@s que obstam a efetivação dos direitos.


Como instrumento de transformação social, é evidente que não se deparam os membros desta instituição com portas abertas, à espera de mudanças substanciais. Pelo contrário, está-se acostumad@ às mais altas muralhas e aos mais variados empecilhos. Não só porque a mudança é difícil (já diria Caetano, “e à mente apavora o que ainda não é mesmo velho”), mas porque se trata de uma mudança em prol da parcela mais incômoda da população, os socialmente segregados, marginalizados, neutralizados. A sociedade capitalista brasileira não se acha pronta para que todos sejam igualmente sujeitos de direito; é conveniente continuar a desumanizar o outro. E @ Defensor@ Públic@ coloca o dedo nessa ferida, invade essa zona de conforto para dizer a que veio. Veio para mudar!


Somos um monte de cronópi@s em uma sociedade dominada por famas. Somos poucos, mas somos muito. Muito suor e muita garra, sempre em busca de um ideal fraterno de justiça. Muito fortes, na construção de uma sociedade mais igualitária. Muito resilientes, nunca desistindo da missão defensorial. Para ser Defensor@ Públic@, não basta um concurso, é preciso vocação.


É por isso que, passado o dia da Defensoria Pública, vejo-me obrigada a registrar minha pequena homenagem a tod@s aquel@s que integram ou colaboram com esta linda instituição, a tod@s que têm suas vidas pintadas de verde durante o ano inteiro.




Fernanda Mambrini Rudolfo. Fernanda Mambrini Rudolfo é Defensora Pública do Estado de Santa Catarina. Doutoranda e Mestre em Direito pela UFSC. Especialista em Direito Penal e Processual Penal pela EPAMPSC. Diretora-Presidente da Escola Superior da Defensoria Pública de Santa Catarina. .




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O texto é de responsabilidade exclusiva do autor, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Empório do Direito.




 

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