Democracia, desenvolvimento e o que aprendemos com os dinossauros? – Por Phillip...

Democracia, desenvolvimento e o que aprendemos com os dinossauros? – Por Phillip Gil França

Por Phillip Gil França – 19/01/2017

Somos um Estado Democrático de Direito desatento e, por isso, registro este manifesto em defesa da democracia e da humanidade (não, necessariamente, nessa ordem).

Essa caraterística, aparentemente, ” distraída” do Estado nacional tem como uma das culpadas a sua própria Constituição, pois não mantém o foco, é dispersa.

O que realmente quer e/ou prioriza, além (ou a partir) da já esvaziada “dignidade da pessoa humana”: democracia ou desenvolvimento?

Quando, na história da humanidade, tais valores andaram juntos?

Via de regra, os largos passos evolutivos do ser humano não demandaram pausas para consultas.

Foram verticais.

Se estou defendendo o autoritarismo?

Pelo contrário, estou pedindo paciência ao desenvolvimento.

Peço respeito à regra básica da natureza (que independe da condição humana) que determina o desenvolvimento por meio de partidas e chegadas de gerações.

Assim é que as espécies possuem a oportunidade de adaptação ao meio.

E quando forçamos tal evolução em uma mesma geração, costuma da dar “tilt no sistema”, não?!

Infelizmente, não nos conformamos em deixar de gozar das benesses parcialmente conquistadas em uma vida apenas.

Quero criar e já curtir os resultados da criação.

Não julguem, todos somos assim na tal era da “multi informação” – é inevitável!

O poder que a tanta informação nos traz, torna cada um de nós um ser tão poderoso que não há freio moral, social, religioso ou jurídico que nos impeça de “julgar” e, entender de tudo um pouco – menos sobre nós mesmo.

E Montesquieu já dizia: “quem tem poder tende a abusar dele”.

Então, já não passou da hora de atualizar e aprimorar os tais “freios e contrapesos”?

Ainda é suficiente para legitimar decisões que mudam vidas de milhões  e/ou matam milhares “apenas” o tal “selo Democrático”?

Não deveríamos buscar e viabilizar desenvolvimento e evolução por meio de adaptação dessas corroídas engrenagens estatais?

Lembre-me que alguns dos dinossauros sobreviveram.

Alguns humanos sobrevirão?

E é deixando de pensar criticamente (de forma séria!) sobre a democracia que marcamos o nosso inevitável fim.

Democracia é ótima, mas entre gerações.

Se buscarmos  atender ao instintos desenvolvimentistas de uma mesma geração, sob a simples tutela de legitimidade estatal de uma democracia congelada no alto de um pedestal dourado, estaremos fadados à autodestruição, naturalmente.

O que fazer?

Fingimos que não nos desenvolvemos e continuamos a assistir BBBs para afagar nossa doce alienação diária ou agimos em busca de soluções para um mundo melhor para nossos filhos e netos?

As porções são claras: ou ouvimos a natureza e perpetuamos a espécie, ou vivemos como se não houvesse amanhã.

Pois, muito provavelmente, não existirá, mesmo.

Agora, democraticamente, alguém concorda em se levantar e agir?

Interessa?

Não ter escolha, talvez, ainda salvará a humanidade; ou adiantará o inevitável.

Seriam os extintos dinossauros “democratas” ou “progressistas”?


PhililipPhillip Gil França é Pós-doutor (CAPES_PNPD), Doutor e Mestre em direito do Estado pela PUC/RS, com pesquisas em “Doutorado sanduíche – CAPES” na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Membro do Instituto dos Advogados do Paraná. Professor de Direito Administrativo (mestrado e graduação) da Universidade de Passo Fundo, autor dos livros “Controle da Administração Pública”, 3 Ed. (RT, 2011) e “Ato Administrativo e Interesse Público”, 2 Ed (RT, 2014), e tradutor da obra “O Princípio da Sustentabilidade – transformando direito e governança“, de Klaus Bosselmann. Professor dos Cursos de Especialização do IDP (Brasília), Abdconst (Curitiba) e Unibrasil (Curitiba). Email: phillipfranca@hotmail.com / Facebook: Phillip Gil França


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