Mario Porto

Por Mario Porto – 16/09/2017

Se o seu objetivo é ser ouvido, você precisa melhorar a sua forma de falar.

Mesmo que tenham 100 pessoas à sua frente, você pode estar falando para as paredes.

Obter a atenção do interlocutor não é uma tarefa simples, mesmo que o assunto seja do interesse dele. Quantas aulas na escola, faculdade, cursos, você já ignorou, mesmo sabendo que precisava daquele conteúdo? A informação é como uma deliciosa fruta em uma árvore, você a quer, mas quanto mais difícil for para alcança-la, menor será o seu interesse. Da mesma forma, quanto mais fácil, mais bonita e mais suculenta ela estiver, maior a certeza de que você vai devorá-la. 

E como transformar o meu conteúdo, a minha informação, minhas palavras em uma fruta madura e fácil de se pegar?

Estamos no século XXI, que costumo chamar de era da INFORMAÇÃO EM MASSA, somos fuzilados por informação de todos os lugares. O celular, um aparelho que contém quase toda informação registrada do mundo acessíveis de qualquer lugar (se sua operadora permitir!). E como manter a atenção do público para a SUA informação? Primeiro vamos entender como funciona o nível de atenção das pessoas.

Gráfico

Quanto mais longo for o tempo de uma apresentação, mais difícil será manter a atenção mediana, quanto mais, a atenção total do público. Por isso, quanto mais recursos você tiver para renovar a atenção do público, melhor. Tornando a atenção oscilante entre mediana e máxima (o clímax), evitando cair no ponto de fuga, pois uma vez que chegar a esse ponto, dificilmente recuperará a atenção perdida.

Sendo assim, vamos ao que interessa para saber quais ferramentas e técnicas você deve utilizar para ser o Rei da Atenção!

1 – Interação

Interagir com o público cria uma aproximação, humanização do palestrante e até mesmo um vínculo durante a apresentação. Use-a caso necessário e cuidado para não se estender. Aqui, o mais recomendado é fazer perguntas para a plateia como um todo, onde eles tenham que levantar as mãos ou dar rápidas respostas como “sim” “não” “eu”. Os mais distraídos nessa hora perguntarão o que foi falado a quem está ao seu lado e isso fará com que ele não queira perder a próxima pergunta.

Obs. Caso não seja permitido ou recomendado, evite essa técnica. Algumas bancas de TCC preferem que a interação seja feita apenas na hora das perguntas, assim como concursos de oratória, onde a interação é altamente desaconselhável. 

2 – O silêncio

Sabe quando os professores ficam em silêncio, de braços cruzados e em questão de segundos a turma inteira para, se ajeita na carteira e olha para ele em um silêncio que chega a incomodar? Pois é, essa é uma técnica involuntária, muitos a usam por uma simples questão de terem vivenciado isso na infância.

Diferentemente dos professores você não cruzará os braços, mas fará pequenas pausas em silêncio, seja para uma reflexão ou para uma longa e profunda respiração. Isso causará uma comoção generalizada e involuntária na plateia aumentando o nível de atenção. A plateia geralmente utilizará esse momento para refletir sobre o que foi falado, por isso use sabiamente e em momentos estratégicos e evite perder o bom andamento da apresentação. 

3 – Entonação (emoção, ênfase)

Aqui a ideia é elevar ou abaixar o tom de voz. Para haver uma justificativa indireta do aumento do tom de voz, conecte-o à uma emoção. Evite usar uma entonação muito oscilante sem motivo. Por ser uma técnica muito importante e praticamente obrigatória de se dominar, o próximo artigo será específico e somente sobre Entonação!!! Sendo assim, passemos ao próximo…

4 – Metáforas

Quando estabelecemos conexão com a plateia, a tendência é ter a atenção elevada por mais tempo. Duas formas de conquistar essa conexão é por meio de metáforas, uma,  pessoa da plateia conseguirá entender por conta de acontecimentos que se passaram com ela ou alguém conhecido, outra, o simples fato de conseguir entender algo por meio de um exemplo simples e objetivo que você tenha dado. Metáforas bem elaboradas podem surtir efeitos muito positivos para você, cuidado ao improvisar metáforas, em seu diálogo interno elas podem fazer muito sentido, porém, nem todos estão na mesma sintonia ou obtém os mesmos recursos para assimilar e fazer as conexões necessárias para entendê-las. 

5 – Storytelling

Conte histórias lúdicas e preferencialmente que conectem você, a história e o assunto da apresentação, interligado como em um triângulo. Não há necessidade de você ser um personagem de sua história. Apesar de que isso gera uma conectividade maior, uma injeção de curiosidade maior. Porém, o que realmente não deve faltar é conexão com o assunto em pauta. Mas, ainda assim, e obviamente, sempre há exceções, e cabe à você medir o nível de entusiasmo e intimidade estabelecida até ali para contar algo fora do tema pelo simples objetivo de entreter. 

6 – Humor

Humor no sentido de ânimo e não de piada. Em muitos momentos as piadas não caberão, mas não significa que você deva evitar comentários contextualizados, rir de um erro próprio como tropeçar em um fio ou técnicos com a apresentação digital, falta de luz entre outros. Saber levar os acontecimentos com humor e espirito esportivo evitará que tenham você como alguém inconveniente. A chance de acertar sorrindo e rindo (estando de acordo com o tema) é muito superior ao semblante sério ou mórbido de uma apresentação monótona. 

7 – Benefícios

Você elencou inicialmente o seu objetivo e pontos chaves na introdução (artigo: Como Escrever um Discurso Profissional), um leve spoiler do que seu público pode esperar da sua apresentação, isso faz com que eles esperem para saber o que você tem a apresentar. Então, durante o decorrer da sua apresentação chame a atenção para os assuntos apresentados e mostre como o público pode usufruir disso.

Obviamente que usar essas técnicas de maneira desornada, fora de contexto ou exageradamente poderá arruinar sua apresentação, sendo assim, pense em utilizá-las durante o desenvolvimento, evitando deixar somente para o improviso.

Mastigar o tema e entregar ele esmiuçado faz com que o interlocutor consiga já sentir a satisfação de estar em sua apresentação antes mesmo dela terminar.

Quanto mais preparado estivermos, mais fácil é introduzir essas técnicas em nosso texto ou deixá-las como recuso de improviso, caso necessário. Isso pode ser feito principalmente por meio de piadas e storytelling, que não necessitam obrigatoriamente estar no seu texto, mas que servem como uma carta na manga para momentos propícios quando ver que o público está começando a dispersar a atenção ou até mesmo levantando para ir embora.

E não se esqueça, o próximo artigo será inteiramente sobre ENTONAÇÃO, na minha opinião, a melhor e – por incrível que pareça – mais simples técnica para obtenção da atenção do seu público!

Você costuma utilizar alguma dessas técnicas? Quais? E se utiliza outras, escreva nos comentários, aprender nunca é demais! Um grande abraço e até a semana que vem!


Mario PortoMario Porto é campeão nacional e especialista em oratória, pós-graduado em gestão empreendedora e criador da Porto Desenvolve, uma empresa de desenvolvimento comunicativo humano. Ministra palestras e cursos nas áreas de oratória, linguagem corporal e micro expressões faciais para serem aplicadas em apresentações, interações sociais/empresariais, e para retirar o medo e a ansiedade das pessoas de falarem em público, ou até, virtualmente.


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O texto é de responsabilidade exclusiva do autor, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Empório do Direito.


 

Por Mario Porto – 09/09/2017

Seu corpo, sua maior arma durante uma interação 

Quase 100% das interpretações que seu interlocutor faz de você são subconscientes dado à nossa evolução e anos de observação, também, subconsciente. Sendo assim, nem você nem ele sabe, mas ambos estão, subconscientemente, analisando o outro a todo momento durante uma interação pessoal. Logo, cuidado com o que você não sabe que mostra e com o que não sabe que as pessoas veem!!!

Um estudo cita que a linguagem corporal representa 55% da importância em uma comunicação frente-a-frente com seu interlocutor. Quando trabalhamos a linguagem corporal na oratória, uma palavra é essencial, “congruência”. Um orador que domina a comunicação congruente consegue transmitir a mesma mensagem simultaneamente com suas palavras, voz e corpo como se fossem um só. É o conjunto da obra. E quando falo de linguagem corporal, não falo só da movimentação, como também da aparência, do sorriso, da primeira impressão. Estudiosos do assunto dizem que para o interlocutor estabelecer sua primeira impressão em relação à você, ele não necessita mais que 4 segundos. Sendo assim, sabendo que isso acontece com frequência, e no intuito de não ter que ficar correndo atrás de desfazer uma má primeira impressão, utiliza-se a regra O.S.P. (Olho, Sorriso, Palmas).

Olhos: Manter contato visual na regra 7/1, olhe por 7 segundos e desvie por 1;

Sorriso: Sorria sempre, o sorriso mostra confiança e confiabilidade;

Palmas: Palmas das mãos sempre à mostra;

Nós, seres humanos, temos uma tendência evolutiva e involuntária de desconfiar de pessoas que escondem suas mãos e de temer aqueles que usam o dorso da mão voltada para cima ou para frente. Quando se exibe as palmas, o outro interpreta isso como uma demonstração de confiança, assim como o sorriso.

Ao falar, nossos movimentos devem ser calmos, gentis, limitados, concisos, precisos, respeitando o tempo e velocidade sempre de acordo com as palavras. E cuidado, não seja um mímico e nem fique andando de um lado para o outro. Longas pausas tanto para o andar quanto para as mãos são muito importantes, deixe para usar o caminhar e o restante do gestual para intensificar suas palavras, para dar vida à uma citação e dar eloquência em sua fala. Aqui, menos é mais.

Os tópicos seguintes servirão para falarmos mais especificamente de cada parte de nosso corpo com o intuito de lhe direcionar para uma comunicação que demonstrará autoconfiança. Variando alguns movimentos que vão desde a dominância até a submissão, ambas são necessárias, cabe à você saber quando usá-las.

Todos as leituras das linguagens corporais que verão a seguir são baseadas em estudos feitos por meio da observação da comunicação de pessoas de todos os lugares do planeta, e que vem se repetindo ao longo de séculos o que fez com que o ser humano pudesse identificar, mesmo que involuntariamente, o que cada um representa, agradando ou não nosso subconsciente. Em muitos momentos não gostamos de conversar com alguém sem nem ao menos saber o motivo, provavelmente esse é o nosso subconsciente em desacordo com a linguagem corporal da pessoa à nossa frente.

Obs. as micro expressões faciais são involuntárias e algumas são universais, não importando a cultura ou criação do indivíduo. Já a linguagem corporal voluntária, como cruzar de pernas, cumprimento, sorrisos são linguagens que podem variar de acordo com a cultura na qual a pessoa esteve inserida. Quando se trata de uma apresentação do tipo palestra, o gestual é compreendido quase que em todo o mundo, porém, alguns gestos devem ser evitados ou adaptados de acordo com a cultura local!

Quando estamos frente a frente, a comunicação é dividida em:

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O estudo citado anteriormente foi feito por Albert Mehrabian, um professor iraniano na década de 60. No estudo, ele diz que o percentual referente a importância de cada um é respectivamente de 7%, 38% e 55%, por isso, essa regra é conhecida pela regra 7-38-55. Apesar de terem sido usadas inicialmente apenas 17 mulheres como sujeitos de pesquisa, esse estudo nos fez dar mais atenção ao poder da linguagem corporal, outras pesquisas foram feitas depois disso e os resultados não têm sido muito diferentes, justamente por que já é comprovado a importância superior do tom de voz e do corpo acima das palavras. Importa mais “COMO” falar a “O QUE” falar. A entonação pode salvar ou arruinar seu discurso mesmo que as palavras não estejam fazendo muito sentido. Assim como sua linguagem corporal, que caso não esteja em acordo com o que diz, poderá levar sua apresentação por água abaixo.

Então qual seria o valor correto referente a comunicação frente a frente? A resposta seria simples:

Não existe uma fórmula, pois todos os aspectos são importantes e necessários, porém, de acordo com o ambiente, público, nível de conhecimento, objetivo do público e demais pontos referentes ao interlocutor, cada um deles será tão ou mais importante que o outro, cabe a você saber em qual deve investir mais, porém, jamais deixando os outros de lado!

Quanto tempo demora para o interlocutor ter sua 1ª Impressão a seu respeito? Não mais que 5 segundos, afirma Ammy Cuddy, uma professora da Havard Business School que estuda o assunto há mais de 15 anos. Mas por que isso acontece?

Pois é um recurso adaptativo do ser humano de autodefesa. Se a pessoa apresenta ameaça fugimos, se apresenta confiabilidade nos acalmamos e depositamos confiança nela. Isso tudo acontece inconscientemente e subconscientemente em uma fração de segundos, de acordo com os cientistas. Por isso, quanto melhor se apresentar – tanto direta como indiretamente – melhor para obterem uma boa primeira impressão à seu respeito! 

Pés e caminhar

A abertura das pernas determina sua intenção, seu posicionamento perante o público e revela o grau de confiança e domínio da pessoa no contexto onde está inserida.

  • Pés afastados na largura dos ombros, liderança;

Pés afastados na largura dos ombros

  • Muito afastados, dominância exagerada;
  • Juntos, falta de confiança;
  • Cruzados, desacordo com o que diz e incita a desconfiança (não utilize em palestras e apresentações);

Cruzados

  • No caso das mulheres, em vez de afastar as pernas, pode afastar um joelho para o lado ou posicionar um pé à frente;

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  • Quando estiver sentado, deixar os pés planos ao chão indicam que você está bem confiante. Caso cruze os pés/calcanhares (atenção, pés, não pernas), pode passar uma imagem de que esteja retraído e lhe falta confiança.
  • O caminhar em apresentações deve sempre ser feito para frente e para os lados. Quando for necessário recuar, use a diagonal, evitando andar para trás. Lembre-se sempre de usar pausas no caminhar. Alguns passos, pause, mais passos, pause. E sempre quando pausar, utilize uma das posições correspondentes à intenção supracitada.  

Imagem 5Imagem 6 

Tronco

Postura ereta, evite deixar os ombros caídos e/ou duros, seja maleável. Quando estiver sentado à frente do seu interlocutor incline levemente o tronco em sua direção para demonstrar interesse, evite esse movimento de forma exagerada, chegar muito perto pode ser interpretado como invasão e enfrentamento.


Braços e mãos

Evite a comunicação com os braços cruzados, eles representam descrença, afastamento, desinteresse. Caso use seus braços cruzados, deixe seus dedões à mostra, passa mais confiança do que escondendo as mãos. Polegares representam sinal de ok, de acordo, de coisas boas.

Bolso

Mãos no bolso ao falar são vistos como falta de confiança, ansiedade, medo (ou frio!). A única forma correta de utilizar as mãos no bolso é quando somente os dedões ficam para fora. Mas mesmo assim não é recomendado falar em público dessa forma, essa posição é para descanso ou espera.

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A mãos devem estar sempre livres (exceto caso esteja segurando um microfone ou passador de slides), evitando sair do retângulo de controle como na figura abaixo:Imagem 8

Evitando ultrapassar acima do queixo, abaixo da cintura, esticadas para os lados e cruzando a linha central do corpo. E em hipótese alguma use o gestual de mão na frente do seu rosto ou descanse abaixo do quadril (observe as linhas na imagem anterior).

Imagem 9A posição da cúpula do poder é sempre bem-vinda. Mas não permaneça assim, trabalhando o gestual e voltando para a cúpula do poder ao final do gesto.

Em caso de socialização a cúpula do poder não é recomendada.

Usar a técnica da bola invisível é uma forma de gestualizar com as mãos facilitando o controle sobre elas. Aqui, gestos simétricos são mais indicados.

Prefira gestualizar em curvas, gestos retos remetem à autoritarismo.

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Imagem 11Pesquisam apontam que quando usamos nossas palmas voltaram para cima ao requisitar ajuda, compreensão, aproximação de alguém, temos 70% de respostas positivas.

Palmas voltadas para baixo também remetem à autoritarismo, mas são utilizadas quando é necessário impor ordem.

O gestual é sempre recomendado em momentos que usamos palavras referentes a ação, tamanho, dimensão e sentimentos. Esses gestos ajudam a intensificá-los e facilitar a compreensão, firmando a informação passada.

Imagem 13Mãos paralelas são utilizadas quando se transmite uma informação sem possibilidade de alteração “sou contra a homofobia”, “sou a favor da paz”.

Evite apontar os dedos, quando necessário fazer referência a alguém prefira usar a mão estendida com o polegar semiflexionado.

Cabeça

Ao inclinar ligeiramente sua cabeça na direção do interlocutor (em diagonal), passará a imagem de interesse, de atenção. E jamais se afaste no momento em que a pessoa falar, isso poderá ser visto como descontentamento e repulsa.

Olhos

Aqui a regra é simples, olhos nos olhos, sempre. Use a regra 7 pra 1 como já citada anteriormente, caso queira, 7 segundos de contato visual, 1 segundo desviando o olhar (não desvie para longe), olhe o cabelo, a boca, nariz e rapidamente volte para os olhos.

Para apresentações em público use a técnica “cama de gato”, escolha algumas pessoas do público para olhar diretamente nos olhos, ao levar seu olhar de uma pessoa para outra, você passará o olho, lentamente, por todas aquelas no caminho. Seu olhar será em direções aleatórias, porém parecerá que você está olhando diretamente no olho de cada um. Por vários momentos, muitas pessoas da plateia acreditarão que você olhos especificamente para elas!

Veja em “Resposta do público” (abaixo) o que representa a direção dos olhos, para entender o que pode estar passando na cabeça de seu interlocutor.

Vestimenta

Vestir-se de acordo com o seu tema é extremamente recomendado, porém, em muitos momentos, nos encontraremos nas vestimentas mais formalmente que o tema para estarmos de acordo com o momento ou evento. Por isso, lembre-se sempre de saber qual a vestimenta tradicional do lugar ou evento no qual fará sua apresentação. Não tenha medo de pecar para mais (só não exagere), e evite ao máximo pecar para menos. É mais natural agradar mais pessoas quando se está mais arrumado do que o casual; não seja a única pessoa sem gravata do salão. Sendo assim, pergunte ao organizador, o traje que será utilizado no evento. Leve em consideração o tema do discurso, o local, a temperatura do local, sua imagem própria e o evento. Na dúvida, use o social.Imagem 14

Resposta do Público

Leve a resposta do público em consideração, sempre que possível. Mas como saber se as pessoas estão contentes com o que falamos? Simples. Se eles se encontram em concordância com a maioria dos gestuais citados acima quanto à pernas, tronco, cabeça e olhos, provavelmente estão atentos e muito interessados no que você diz, se estiverem sorrindo, então ponto para você, objetivo concluído!

Normalmente o público se identifica e acaba seguindo esse padrão de sintonia e atenção: o tronco encontra-se ereto ou inclinado a frente, os braços não se cruzam, o olho está sempre atento e fixado em você, um leve ou grande sorriso estampado, pernas semiabertas e pontas dos pés direcionadas para você (caso as pernas não estejam cruzadas). Esse conjunto que forma a pose de atenção total é o que você procura.

E quando o interlocutor estiver completamente diferente? Nesse caso tente captar a atenção do mesmo, aproxime-se, faça referências a ele, olhe para ele sorrindo, faça-o perceber que ele é importante em meio a dezenas, centenas de outras pessoas. Isso é bem interessante quando identifica alguém da plateia que está próximo a você e essa pessoa está olhando constantemente para o celular. Ao chamar indiretamente a atenção dela, com toda certeza, prestará mais atenção dali em diante.

O olhar de discordância: Caso você esteja apresentando um projeto ou em um concurso de oratória, ou TCC, por exemplo, onde seu tempo é curto e limitado, você está sendo avaliado por jurados e você normalmente não tem interação direta com o público, evite olhar diretamente nos olhos das pessoas se não estiver tão auto confiante, isso evita que você consiga perceber a resposta do público, que nesse momento não importa e pode acabar lhe distraindo e causando brancos (culpa do estresse elevado e uma noite mal dormida).

Quando a apresentação for mais direta, com poucos ou só 1 interlocutor, como em entrevistas de emprego, vendas, apresentando – somente e diretamente – para uma banca de jurados à sua frente você pode reparar nos sinais corporais, mas agora pode atentar-se aos olhos. Nossos olhos se movem involuntariamente de acordo com o que estamos pensando.

Quando o olhar se move rapidamente para cima, geralmente estamos requisitando uma memória visual ou criando uma. Quando olhamos para os lados o sentido a ser requisitado é o da audição, memória e criação auditiva. Olhar para baixo já é um pouco mais complicado e envolve a parte de micro expressões faciais, podendo ser vergonha, culpa ou simplesmente uma conversa interna.

E agora, como você, ou melhor, seu corpo tem se saído em suas interações? Nosso corpo fala e grita, lembre-se sempre disso!

Caso tenha ficado alguma dúvida, não deixe de entrar em contato comigo para que eu possa lhe ajudar com qualquer que seja a sua necessidade! Um grande abraço e até a próxima semana!


Mario PortoMario Porto é campeão nacional e especialista em oratória, pós-graduado em gestão empreendedora e criador da Porto Desenvolve, uma empresa de desenvolvimento comunicativo humano. Ministra palestras e cursos nas áreas de oratória, linguagem corporal e micro expressões faciais para serem aplicadas em apresentações, interações sociais/empresariais, e para retirar o medo e a ansiedade das pessoas de falarem em público, ou até, virtualmente.


Imagem Ilustrativa do Post: Hands // Foto de: jeanbaptisteparis // Sem alterações

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Por Mario Porto – 02/09/2017

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“Oratória, não necessariamente o primeiro degrau, mas um degrau necessário”

Cada dia mais, as universidades formam intelectuais da escrita, mas ignorantes da fala. 

Sua universidade errou em não te ensinar e você também errou ignorando um importante degrau da sua carreira.

Quando você se encontra com uma dificuldade no âmbito profissional, é por que certamente algo ficou para trás e hoje você paga o preço. E o pior, paga em prestações infinitas, pois não procura resolver, talvez por falta de conhecimento ou teimosia. Falo isso por conta da nossa fome de crescer e desenvolver o profissionalismo da graduação, deixando importantes processos “pré” ou paralelos de lado. Um deles, a oratória.

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O degrau da formação superior, que deveria ser o mesmo degrau da capacitação da comunicação, foi dividido. E você pisa apenas no da graduação, deixando para trás esse outro degrau que fará uma falta enorme mais adiante.

Advogados começaram há quase 2500 anos a se especializarem na arte da argumentação (conhecida como retórica) para reaver bens e propriedades tomadas por opressores na Itália. Pois naquela época a falta de argumentação, medo e outros fatores que envolvem oratória permitiam os poderosos de fazerem o que bem entendessem.

E aí vem a pergunta, você já se encontrou em um momento com dificuldade/medo/ansiedade de se expressar, de defender o TCC, um artigo, um projeto, fazer uma entrevista, debater um assunto e argumentar de forma lógica e clara, ou que seja, de fazer com que entendam a sua opinião por mais óbvia que ela seja?

Quem aqui não gostaria de ser um Harvey Specter ou uma Jessica Pearson da vida real!?

Divulgação
Divulgação

Há quem prefira esses dois:

Divulgação
Divulgação – Suits, seriado canadense que tem como cenário uma firma de advocacia na cidade de Nova York.

Trazendo para o mundo real, quem aqui não gostaria de ter a oratória de Martin Luther King Jr., Susan Blackmore, Mandela, Hillary Clinton, Steve Jobs?”

Hoje, as universidades pouco se importam com a argumentação e oratória no geral, focando nas técnicas jurídicas. Privando o aluno de desenvolver uma técnica milenar e de extrema importância em TODAS as áreas de atuação do direto. Fazendo com que o aluno tenha que ir atrás de complementar sua formação por livros ou cursos extracurriculares, o que em sua grande maioria não acontece, formando profissionais limitados, e fracos em suas atuações onde a interação é necessária, forçando-os a permanecerem atrás de mesas e entulhados em papeis. Por isso falo sobre a questão de pular degraus. E isso não só para o advogado, mas praticamente para todo profissional que utiliza a oratória em seu dia-a-dia.

Casos como do deputado Pedro Ivos Caminhas…

https://www.youtube.com/watch?v=9P2lLyekfDs

…e do vereador Marcos de Bria…

https://www.youtube.com/watch?v=UO4gWsM5j7s

… mostram como a falta – exagerada – da oratória pode acabar com sua imagem, virando um vexame nacional.

E como resolver esse problema?

Tendo a oratória nas grades curriculares.

Mas qual a chance disso acontecer?

Praticamente zero.

Infelizmente, a maioria ainda acredita que falar bem é questão de tentar e fazer, sem a necessidade de estudar as técnicas e ferramentas.

Se já é sabido que as universidades não dão a importância devida, será que o erro é só delas ou também seu por não ter dado a mesma importância? O que vejo acontecer demais, são pessoas pagarem rios de dinheiro em cursos como Coaching, PNL, pós-graduação, especialização, Leader Training, Desenvolvimento de Liderança até mesmo pagando psicólogos, mas não querem investir em um curso que na verdade é o principal pré-requisito e está no topo da lista de necessidades de desenvolvimento para um advogado.

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Curiosidade: Por incrível que pareça, políticos estão bem no final dessa lista

Porém, não quer dizer que não existam aqueles que reconheçam o poder da oratória. Hoje, os profissionais que lideram o ranking de procura dos meus cursos de oratória são, respectivamente, vendedores, administradores, advogados e até de engenheiros quem já sejam ou tenham a vontade se tornarem empresários.

Curiosidade: Por incrível que pareça, políticos estão bem no final dessa lista

E o que é então, exatamente, a oratória e o porquê dessa importância?

Oratória, diferente do que muitos pensam – ser apenas a capacidade de falar em público – é a capacidade de usar inúmeras técnicas simultaneamente para falar em público, e também, ensinar, entreter, convencer, persuadir, cativar, revoltar, impressionar, incitar, excitar, criar seguidores, argumentar, debater, discutir, criar o caos, instalar a paz, etc. Suas técnicas englobam:

Desenvolvimento de texto/discurso/apresentação;

Utilização de palavras de impacto para persuasão;

Controle da ansiedade;

Controle da entonação;

Controle da emoção;

Captação e manutenção da atenção do seu público;

Uso da linguagem corporal;

Uso de expressões faciais na persuasão;

Empatia;

Conectividade Locutor-Interlocutor;

Eloquência (não se deixe levar por quem diz que eloquência é só dom);

Argumentação;

E inúmeras outras técnicas, que juntas possibilitam você a alcançar patamares que hoje se encontram tão distantes pela simples questão da dificuldade e não pela distância em si.

Em suma a oratória e quem a estuda, tem, com absoluta certeza, um diferencial que o colocará a frente dos que não dominam essa arte. Possibilitando à essas pessoas que obtenham mais facilmente suas metas, objetivos e interesses quando esses necessitam da interação entre duas – fechamento de contratos e acordos – dezenas – julgamentos e reuniões – ou até mesmo, milhões de pessoas, como é o caso de debates políticos televisionados.

Quando penso em ignorância, penso em prisão intelectual, e pela mesma lógica conhecimento seria então a liberdade intelectual. Por esse raciocínio que sigo com a frase de Rui Barbosa “A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade” e brinco em dizer que a palavra do advogado conquista a liberdade de seu cliente. Advogados, que usam do seu intelecto teórico e conseguem exprimir todo o conhecimento e sagacidade diante aos fatos e/ou brechas por meio de sua oratória, podem, não só garantir uma liberdade, como garantir a prisão do malfeitor, impedir a injustiça, garantir a execução da lei. E em muitos momentos, uma palavra ou frase, na hora certa, com a entonação certa, direcionada e expressada da forma correta, poderá até mesmo salvar uma vida.

Não deixe que sua voz te impeça de salvar um contrato, muito menos de salvar uma vida pelo simples fato de ela é incapaz de expressar de modo assertivo e estruturado tudo aquilo que está em sua cabeça.


Mario PortoMario Porto é campeão nacional e especialista em oratória, pós-graduado em gestão empreendedora e criador da Porto Desenvolve, uma empresa de desenvolvimento comunicativo humano. Ministra palestras e cursos nas áreas de oratória, linguagem corporal e micro expressões faciais para serem aplicadas em apresentações, interações sociais/empresariais, e para retirar o medo e a ansiedade das pessoas de falarem em público, ou até, virtualmente.


Imagem Ilustrativa do Post: Microphone // Foto de: Grant // Sem alterações

Disponível em: https://www.flickr.com/photos/visual_dichotomy/3623619145

Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode


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Por Mario Porto – 26/08/2017

Saiba traçar o perfil do seu público e seja mais assertivo nas palavras e termos utilizados, seguindo esse passo-a-passo você vai escrever discursos de forma rápida e profissional de maneira simples.

Escrever um discurso pode ser infinitamente mais simples do que você imaginava. Conheça duas das várias estruturações de um discurso profissional. Uma em particular, foi a que me levou a ganhar o Concurso Nacional de Oratória. Um discurso bem estruturado não só faz sentido do começo ao fim, como também, é mais fácil de ser lembrado e citado. De nada adianta falar muito bem se a lógica das palavras se perdem em meio à oratória.

Passo 1. O Planejamento

Você deve ser capaz de responder todas as perguntas abaixo para saber quais palavras deve usar e o que não deve faltar em sua apresentação:

  1. Qual é o tema?
  2. Qual a duração?
  3. Qual o seu propósito?
  4. Qual a roupa mais apropriada para esse evento?
  5. Como é a acústica local e os recursos audiovisuais?
  6. Quem ganha mais com sua apresentação?
  7. Qual é o perfil do seu público?
  8. Qual o tamanho do público?
  9. Qual o nível de conhecimento do público?
  10. Qual é o real interesse do seu público?

Passo 2. A Introdução

A dica é criar curiosidade e expectativa. 

Apresentação pessoal

  • Saudação: Olá. Tudo bom? Todos bem? Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Sejam bem-vindos;
  • Seu nome;
  • Sua ocupação;
  • Caso tenha conexão direta com o tema (ou tempo, como em uma palestra) faça um resumo da sua trajetória para chegar até ali;
  • Agradecimento inicial, fica a seu critério colocar ou não (eu prefiro). 

Apresentação do Tema

  • O tema em si, deixe claro o tema do seu texto; (Obrigatório)
  • Pontos chaves para criar curiosidade (um leve spoiler);
  • Diga um ou dois dos objetivos da sua apresentação;
  • Use o link, uma conexão entre sua introdução e o corpo deixando seu texto mais dinâmico e inteligente 

Passo 3. O Corpo do texto

A dica é ater-se ao tema

Determine a quantidade de tópicos

  • Se seu texto tem 5 minutos, até 3 tópicos. 10 minutos, 3-5 tópicos. 30 minutos ou mais, 10 tópicos ou menos. Os tópicos são intimamente ligados aos subtemas mais importantes da sua apresentação. 

Estruturação de um PROBLEMA ou Apontamento

  • Estruturando um problema (recomendado para discursos no geral)

– Identifique seu problema;

– Disserte sobre ele;

– A resolução do problema;

  • Solucionar o problema;
  • Propor uma ou mais soluções;
  • Solicitar ideias (ajuda) para solucionar o problema.

Apontamentos

  • Diferente da estruturação de um problema, você fica mais livre para falar sobre seu tema dividindo os assuntos em tópicos. Recomendado para apresentação de um produto, empresa, pessoa ou ideia, para vendas, discurso de agradecimento ou parabenizações.

Passo 4. A Finalização

A dica é ganhar seu interlocutor

Resumo Geral

  • Relembre sobre o problema identificado e sua resolução;
  • Caso tenha usado os Apontamentos na estruturação, revise os pontos mais pertinentes e impactantes do corpo do seu texto; 

Conquiste a plateia (vínculo)

  • Seja convidativo e traga o interesse da plateia para sua proposta, faça com que eles saiam dali usando e/ou compartilhando suas ideias, propostas e ensinamentos. 

Agradecimento final e Frase de Impacto

  • A ordem dos dois e a utilização da frase ficará a seu critério, lembrando que o agradecimento é indispensável;
  • Evite puxar saco, mas deixe claro a importância da presença e atenção de todos os presentes;
  • Para a frase de impacto, use uma frase forte ou uma citação de alguém conhecido, preferencialmente.

Numa recapitulação geral, escrever um discurso vai além de papel e caneta, é conhecer e entender o seu público, o que eles anseiam e o que é mais pertinente no tempo programado. E na escrita é usar as palavras que atinjam esse público de maneira precisa e impactante seguindo a estruturação inteligente para evitar a perda de atenção do público e compreensão do que está sendo dito, quando amarramos o texto, parte a parte, ele ganha vida, fazendo sentido para todos que estão ouvindo, isso o tornará mais fácil de ser assimilado e, consequentemente, de ser lembrado!

Sabendo agora o quanto é simples escrever um discurso, desafie-se, escreva, crie, busque por citações impactantes, leia outras publicações referente aos temas e nunca esqueça, PlanejamentoIntroduçãoCorpo Finalização, assim, simples e profissional!

Veja um exemplo de discurso feito a partir dessa estruturação AQUI


Mario PortoMario Porto é campeão nacional e especialista em oratória, pós-graduado em gestão empreendedora e criador da Porto Desenvolve, uma empresa de desenvolvimento comunicativo humano. Ministra palestras e cursos nas áreas de oratória, linguagem corporal e micro expressões faciais para serem aplicadas em apresentações, interações sociais/empresariais, e para retirar o medo e a ansiedade das pessoas de falarem em público, ou até, virtualmente.


Imagem Ilustrativa do Post: Waiting to write…in color // Foto de: Angie Garrett // Sem alterações

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